O Hospital Misericórdia da Mealhada está empenhado em contribuir para a meta do Ministério da Saúde, que pretende a diminuição do número de mortes devido a doenças cardiovasculares. Para isso criou o projeto “O Coração é a Razão” que, com o apoio da Câmara Municipal e Juntas de Freguesia da Mealhada, apresenta resultados “muito positivos”, depois de um ano de vigência.

“Somos uma unidade hospitalar pequena, mas queremos, com o nosso humilde contributo, ajudar a que sejam atingidas as metas do Ministério da Saúde”, declarou Aloísio Leão, diretor clínico do Hospital da Mealhada, enaltecendo o papel da equipa da unidade hospitalar que dirige, bem como “a do Centro de Saúde”, com quem diz haver uma cooperação.

Também Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, elogiou o desafio que foi feito pelo Hospital à autarquia, que apoia financeiramente este programa, bem como a dos “rastreios em saúde”. “Vamos continuar a discutir e a apoiar, com certeza, este tipo de programas”, declarou o edil, defendendo que é “sempre melhor prevenir do que remediar!”.

E antes de serem apresentados os resultados locais do projeto, Raúl Martins, Professor na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, apresentou alguns dados de estudos europeus, defendendo “a importância de nos mexer-nos”. “Em Portugal, em 2018, 68% (dos questionados) não se envolvem em nenhuma atividade física; 43% alegam falta de tempo; 33% têm falta de motivação ou desinteresse; 10% não faz por questões de saúde; e 13% dizem ser dispendioso”, referiu.

Mas o estudo vai mais longe e diz que, de 2010 a 2018, a falta de motivação nos adultos teve um aumento de 230%. “Depois de tudo o que andamos a fazer, em oito anos temos este aumento…”, lamentou Raúl Martins.

E baseado num artigo de saúde internacional, publicado há poucos dias, o Professor na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra reporta que “o exercício físico é melhor que a Metformin”, um medicamento utilizado em doentes com Diabetes do tipo 2. “Em dois anos de estudo, os doentes que só tomaram este medicamento não tiveram alterações na doença, mas os que o complementaram com exercício físico tiveram resultados de melhoria”, disse.

Posto isto, Marco Silva, professor de educação física do projeto “O Coração é a Razão”, apresentou os dados locais do último ano. Assim, de junho a setembro de 2017, 226 pessoas foram rastreadas, tendo 65 ficado inscritas no programa de atividade física. Destas, cinco não avançaram, umas por falta de horário, outras por indicação médica.

Foram constituídas quatro turmas, de 15 participantes cada, que fizeram 219 horas de actividade física, nos Pavilhões dos Bombeiros da Mealhada e Municipal do Luso. No final, o balanço não podia ser mais positivo. “Diversas melhorias na força dos membros inferiores (relacionados com as quedas); diminuição em 57% da tensão arterial e Índice de Massa Corporal; e alguns deixaram de ser obesos tipo 2 para serem tipo 1”, exemplificou Marco Silva, garantindo que “de um modo geral, o programa melhorou a saúde dos participantes em quatro por cento”.

No final, Raúl Martins apresentou ainda um estudo de como o exercício físico pode poupar, anualmente, milhões de euros ao Estado; e Polybio Serra e Silva, de Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, fez uma apresentação intitulada “Ter mais olhos que barriga”, dando dicas para um alimentação saudável.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de JOSÉ MOURA, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/