Alterações à obra do Cineteatro da Pampilhosa levam a que empreitada esteja longe de estar pronta ainda este verão, o que era uma das intenções da direção do Grémio de Instrução e Recreio, entidade responsável pela obra. Alterações que Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, disse, ontem, 2 de junho, serem da incumbência do GIR e que a direcção justifica terem sido feitas para que a obra chegasse ao final e fosse aprovada.

“A direção do GIR entendeu fazer alterações à obra e os engenheiros da Câmara têm procurado responder a todas as solicitações, mas há que entender que também têm outros trabalhos”, disse Rui Marqueiro, na reunião pública do Município da Mealhada, respondendo assim a alguns dos elementos diretivos do GIR. “Neste momento, temos um engenheiro da Câmara que, mesmo estando de férias, está a trabalhar para o GIR”, enfatizou, mostrando os emails enviados pelos técnicos da autarquia ao engenheiro supervisor da obra, João Aidos, onde pediam o ponto de situação e “cuja resposta só chegou no passado dia 27 de junho”.

Já na Assembleia Municipal, da passada sexta-feira, o autarca destacou “a boa vontade do Município em colocar técnicos municipais a trabalhar em obras que não são da responsabilidade da autarquia”.

Ana Pires, presidente da direção do GIR, referiu que “as alterações à obra foram feitas para que o parecer – por parte da Autoridade Nacional da Proteção Civil e da Inspeção-geral das Atividades Culturais – não fosse negativo”.

E depois dos projetos de especialidade da eletricidade (já feito) e de arquitetura (em vias de ser entregue), a direção do GIR garante “ter as maiores dúvidas em relação ao trabalho do empreiteiro”. “Deveríamos ter feito uma auditoria à obra antes de nos candidatarmos. Estamos a terminar o mandato e gostaríamos que em agosto de 2018, altura dos cento e dez anos da abertura do espaço, pudéssemos abrir as portas do Cineteatro e isso não vai acontecer”, disse Mário Rui Cunha, lamentando que este atraso prejudique “o Grémio, a Pampilhosa e o concelho”.

Recordamos os nossos leitores que a obra do Cineteatro da Pampilhosa dura há uma década e passou de uma anterior direção para a atual. No início de 2017, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro já a tinha financiado em trezentos e cinquenta e cinco mil euros, tendo por “liquidar” cerca de sessenta mil. A Câmara da Mealhada apoiou com quatrocentos e nove mil euros e, no final de 2016, assinou um contrato onde se compromete a dar mais cento e cinquenta mil euros para que a obra fique concluída.

Também em março do ano passado, a direção do GIR abriu as portas do espaço e os convidados puderam constatar, “in loco”, os “erros” de obra, como por exemplo, em algumas zonas do Balcão as pessoas estando em pé mal conseguem ver o palco, bem como a tinta branca do espaço, uma cor, que, segundo Ana Pires, “nunca é utilizada em espetáculos por causa do reflexo que faz”.

Também o palco foi cortado e ficou mais baixo e inclinado e foram criados uns espaços que retiraram três filas à zona da plateia. “A inclinação do palco compromete qualquer espetáculo de dança e música. Compromete, aliás, qualquer cenário normal onde esteja uma mesa e uma cadeira”, disse ainda, nessa altura, a presidente da direção do GIR.

E se na planta original os lugares disponíveis eram seiscentos, agora ficam por pouco mais de uma centena.

 

Mónica Sofia Lopes