As direções do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada podem mudar, o local dos corsos e a forma de trabalho também, mas a unanimidade impera quando se fala das escolas de samba. Cabe-lhes a “elas” serem o principal ingrediente daquele que é considerado “o Carnaval mais brasileiro de Portugal”.
“De onde vim… para onde vou”
O trabalho das quatro escolas de samba que desfilam nos corsos do Carnaval da Mealhada acontece durante todo o ano, mas é nos meses que antecedem os festejos que “mais aperta”. “De onde vim… para onde vou”, que conta com o sub tema “Tudo é impossível até acontecer!”, uma citação de Nelson Mandela, é o tema dos Amigos da Tijuca, que procuram, assim “abranger a evolução histórica da sociedade em geral, desde a revolução industrial, passando pelas novas tecnologias até a um suposto cenário apocalíptico da extinção da espécie humana”.
Com cento e vinte elementos a desfilar, a escola proveniente de Enxofães (concelho de Cantanhede) “levará” três alas de Passistas, uma de Mirins, outra de Baianas, a Bateria com trinta e cinco elementos, dois Destaques, Rainha de Bateria, Mestre Sala e Porta Bandeira, Comissão de Frente com doze elementos e ainda um Destaque e cinco Composições no carro alegórico.
“Herman: o pai do humor português”
Com mais elementos vai o Batuque. Serão cento e trinta desfilantes que “carregarão” o enredo de “Herman: o pai do humor português”. Um tema que no início do mês trouxe à Mealhada o humorista, aquando da festa de apresentação do samba enredo da escola de samba da cidade da Mealhada. “Essa visita ajudou muito o nosso tema. Criámos-lhe um amor indiscutivel”, disse Rui Alves, presidente da direção do Batuque, que garantiu: “O facto do Herman ter cá vindo, deu um grande impulso à escola, à imprensa e ao Município. Não tenho dúvidas de que estivemos à altura daquilo que o Carnaval merece”.
“Tal Canal”, “Serafim Saudade” e “Nelo e Idália” são algumas das personagens do artista que serão interpretadas. “Os preparativos finais estão a correr muito bem e apenas estão a faltar alguns pormenores”, garantiu o dirigente.
“Per Fumum! Algo no ar!”
“Per Fumum! Algo no ar!” é o enredo dos Sócios da Mangueira, escola sedeada na Póvoa da Mealhada, que pretende na “avenida” contar a história do perfume “desde o seu surgimento no Egipto, passando pelas modificações que o sintetizou, até aos dias de hoje”. Quem o explicou, ao «Bairrada Informação», foi Inês Machado, carnavalesca da escola de samba, que estará com cento e vinte elementos distribuídos pela Comissão de Frente, Mirins, Baianas, três alas de Passistas, três Destaques, Mestre Sala e Porta Bandeira, Madrinha de Bateria e Bateria.
“A Real Imperatriz é uma força da natureza”
O Grupo Recreativo Escola de Samba “Real Imperatriz”, de Casal Comba, desfilará com o tema “A Real Imperatriz é uma força da natureza”, um tema que não nos foi possivel desenvolver, por impossibilidade de falarmos com o seu carnavalesco, que também não permitiu que nos deslocássemos à sede da escola para fotografar os últimos trabalhos. Contudo, e segundo Emílio Quintas, presidente da direção, desfilarão cento e vinte elementos. “Os preparativos correram bem. Esta última semana é a mais apertada, mas como começámos os ensaios e confeção de fatos há já alguns meses é tudo mais fácil…”, disse o dirigente.
Mudança de local tras expectativa e alterações
A novidade do Carnaval da Mealhada em 2017 é o do regresso ao centro da cidade. Uma alteração que traz expectativas a quem por lá voltará a desfilar. “Para mim é um regresso a um excelente Carnaval. Do outro lado (Sambódromo) podemos ter um evento que alie, samba, gastronomia, turismo, etc. Já deste lado podemos ter a tradição e ter as pessoas em contacto connosco”, disse o dirigente do Batuque, uma escola que “nasceu” em 1988. “Vai ser mais emocionante”, confessou.
Também o presidente da Real Imperatriz, escola com vinte e seis anos e que “nasceu” de um grupo designado de Rambuque, considera que será “um Carnaval muito bom, com mais público e mais folia”. “Achamos que tudo vai correr bem”, disse ainda.
A escola mais antiga do Carnaval da Mealhada, que comemorá este ano trinta e nove anos, também tem “as melhores expectativas”. “Foi lá que o Carnaval ‘nasceu’, é lá que deve acabar”, disse André Castanheira, presidente da direção dos Sócios da Mangueira, relembrando, contudo, que “as escolas mudaram nos últimos anos, portanto, tiveram que ser feitas muitas adaptações para estes corsos”. “É um ano experimental, para o próximo haverá, de certeza, coisas a mudar”.
Totalmente novidade será para os Amigos da Tijuca, uma escola que tem doze anos, e que assume que “as expectativas são enormes”. “Achamos que vai ser um Carnaval maior, com outras condicionantes, como é exemplo uma estrada em calçada, mas estamos adaptados à nova realidade”, disse Patrick Santos, que garantiu: “Estamos preparados para apresentar um bom espetáculo”.

Fotografias de Ricardo Almeida























