A inauguração da exposição «A Jornada de Cristo: Da Prisão ao Sudário, na Obra de Monsenhor Nunes Pereira», que aconteceu, na tarde deste sábado, no Convento de Santa Cruz, deu início à programação da Semana Santa Luso – Bussaco 2026. A ocasião foi também mote para uma palestra, do Professor Catedrático Victor Lobo e do médico Antero Frias Moreira, intitulada «O Santo Sudário de Turim: método científico», que abordou a análise científica e histórica associada a um dos mais enigmáticos relicários da tradição cristã, deixando uma reflexão para crentes e não crentes.
«O objeto de Turim é o objeto arqueológico mais estudado desde sempre, passando por investigações de imagem, de medicina, de numerologia, de mineralogia,…», começou por dizer Antero Moreira, autor da obra «Sudário de Turim Mortalha de Cristo ou Fraude Medieval?», acrescentando que «o Santo Sudário de Turim é um pano de fibras de linho com mais de quatro metros, guardado em Turim desde 1578, atualmente numa câmara de gás inerte». «O tecido tem marcas de carbonização provocadas por um incêndio em França, décadas antes, bem como da água que foi atirada na ocasião, mas depois de todas as investigações não há dúvidas de que este lençol envolveu o corpo de Jesus Cristo da Nazaré, depois da sua morte. Há evidências bioquímicas de extrema violência», enfatizou.
Segundo o autor, um estudo internacional, que envolveu vários especialistas de patologia forense, comprova que «o corpo não permaneceu no lençol por mais de 30 a 40 horas». «Através de um negativo fotográfico da imagem vê-se um rosto em sofrimento, que tinha edemas, um desvio no nariz derivado a uma fratura e inchaço no pescoço e lábios, havendo informação mais recente que fala em socos ou bastonadas perto dos olhos. Foi alvo de flagelação por mais de uma centena de vezes com recurso a chicotes. Cerca de 60% do corpo estava marcado com este tipo de lesões», enumera, afirmando que «a imagem delineada no pano tem presente, não uma coroa, mas um capacete de espinhos oriundos de plantas espinhosas que chegam a atingir a componente óssea da cabeça».
Por outro lado, o médico Antero Frias Moreira refere que «o corpo que esteve envolvido neste pano, caminhou descalço para o suplício com uma parte da cruz às costas, pois as investigações científicas comprovam que na parte da imagem da planta do pé existe a presença de minerais do solo de Jerusalém, assim como nos joelhos, comprovando as quedas que teve até ao suplício». As dissertações científicas terminaram ainda com a explicação pelo facto de o pano só dar indicação de quatro dedos nas mãos, a ferida da última lança que lhe foi dada para comprovar que estava morto e o facto do tecido comprovar que o corpo não foi removido, «simplesmente deixou de estar no lençol».
A palestra decorreu no Convento de Santa Cruz, onde foi inaugurada a exposição «A Jornada de Cristo: Da Prisão ao Sudário, na Obra de Monsenhor Nunes Pereira», que apresenta «um conjunto de obras de Monsenhor Nunes Pereira que retratam, de forma profunda e simbólica, os momentos da jornada de Cristo desde a sua prisão até ao sudário, convidando à reflexão sobre a dimensão histórica, artística e espiritual destes acontecimentos». Um conjunto escultórico de quinze peças da Via Sacra disponibilizado pelo Seminário Maior de Coimbra. «Uma forma de assinalar os 25 anos da morte de Monsenhor Nunes Pereira, um homem que viveu de forma simples e muito próximo das pessoas», enalteceu Guilherme Duarte, presidente da Fundação Mata do Bussaco.
«O turismo religioso é um nicho cada vez mais procurado e desejo que a Semana Santa possa trazer muitas pessoas a esta Mata Nacional», declarou Vasco Estrela, vice-presidente da CCDR Centro.
Mónica Sofia Lopes


























