Já estão em território nacional os 44 trabalhadores, de uma empresa com sede na Mealhada, que estavam «retidos» em Guadalupe (Caraíbas). Até França de avião e de autocarro até Portugal, os operários surpreenderam-se pela falta de fiscalização na fronteira de Vilar Formoso, por onde passaram na madrugada deste domingo.

As últimas duas semanas não foram fáceis para um grupo de meia centena de trabalhadores de uma empresa de metalomecânica. Recém-chegados a Guadalupe viram a fábrica «fechar» para cumprirem uma medida preventiva depois de alguns casos terem surgido na ilha.

Apesar de todas as condições e bens necessários – cada habitação era partilhada por apenas três trabalhadores e tinha ar condicionado e internet -, e da empresa continuar a pagar os salários para que os funcionários pudessem ir às compras – disponibilizando uma viatura para esse efeito, bem como mascaras e desinfetante -, os trabalhadores sentiam falta de uma segurança, que consideravam só vir a ser atingida em Portugal.

Mas os problemas começaram a surgir quando os voos foram sendo sucessivamente cancelados e a empresa, numa primeira fase, só conseguiu que chegassem a Portugal pouco mais de uma dezena de operários. «Abortada» a operação prevista para o passado dia 23 de março, o empresário João Sousa colocou todas as expectativas num voo da companhia Air France, que partiria de Guadalupe na noite de 27 de março. E assim foi, pelas 21h10 de sexta-feira, os 44 trabalhadores descolaram da ilha que os acolhia há cerca de um mês, metade dele cumprido em isolamento.

«No aeroporto de Guadalupe exigiram-nos a distância de segurança entre as pessoas e tivemos de preencher um papel, pois só assim podíamos “pisar” território francês», começou por explicar, ao Diário de Coimbra, Hélder Martins, de Anadia, encarregado dos trabalhadores em Guadalupe, enfatizando que, desde o momento que saíram de suas casas na ilha, «todos traziam mascaras e luvas».

No aeroporto de Orly – onde chegaram cerca das 9h00 deste sábado – «não houve qualquer tipo de controlo. Foi sempre andar», disse-nos Hélder Martins, confirmando que à porta já estava um autocarro, veículo que transportou os 44 portugueses até ao nosso país. E se entre França e Espanha, o autocarro foi obrigado a parar para que o motorista mostrasse a lista com os nomes dos ocupantes e os seus documentos; na fronteira, em Vilar Formoso, entre Espanha e Portugal, onde a viatura passou cerca das 4h00 da madrugada deste domingo, nada aconteceu. «Passámos pelo lado em que saem os camiões e vimos um carro de polícia e uma ambulância, mas estava tudo apagado, nem sei se lá estaria alguém», continuou o encarregado, adiantando que, ainda em Espanha, ligou para a Saúde24 – cerca das 23h00 de sábado – «para contar a nossa história e saber quais os procedimentos que devíamos ter». «Foi-nos dito para ficarmos em quarentena, de preferência em isolamento, e que, mesmo sem sintomas, cada um ligar para o seu Centro de Saúde e saber a possibilidade de fazerem, por precaução, um teste rápido», acrescentou ainda Hélder Martins.

Apesar de se sentir mais descansado em Portugal, o encarregado dos trabalhadores em Guadalupe afiança que na ilha «foram obrigados à quarentena, cumprindo a lei francesa, desde o passado dia 19 de março». «Na televisão víamos que a polícia andava pela rua e não permitia, a partir das 20h00, que ninguém circulasse», referiu, concluindo que o objetivo da empresa mealhadense era «trazer todos os trabalhadores para solo português» e isso, garante, «foi cumprido!».

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagem Jornal do Centro