Existe ainda pouca evidência científica sobre a relação entre o COVID-19 e a alimentação. Contudo, sabemos que um estado nutricional e de hidratação adequados contribuem, de um modo geral, para um sistema imunitário otimizado e para uma melhor recuperação dos indivíduos em situação de doença.

Numa situação de isolamento, é importante garantir a disponibilidade de alimentos que permita assegurar as necessidades alimentares por um período mais longo de tempo, apresentando assim uma boa durabilidade, ao mesmo tempo que sejam promotores de uma alimentação saudável e que permitam otimizar o momento de ida aos supermercados, evitando deslocações frequentes às compras.

Posto isto, a que alimentos devemos dar então preferência? Esta escolha deve ter em consideração a capacidade de armazenamento (refrigeração e congelação), bem como as preferências pessoais.

Assim, destacam-se os seguintes alimentos: pão e cereais de pequeno-almoço não açucarados; hortícolas (cenoura, cebola, courgette, abóbora, brócolos, couve-flor, feijão-verde e produtos hortícolas congelados); fruta (maçã, pera, laranja e tangerina); ovos, conservas de pescado, pescado e carne (congelados ou frescos, devendo os frescos ser utilizados nos primeiros dois/três dias); leguminosas (em conserva ou secas); e, leite e iogurtes.

Como mencionado anteriormente, a evidência científica é escassa no que diz respeito à relação entre a alimentação e o reforço do nosso sistema imunitário, não existindo nenhum alimento específico ou suplemento alimentar que possa prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19.

Ainda assim, sabemos que à semelhança de outras funções fisiológicas do organismo, para garantir o normal funcionamento deste sistema, é necessário uma alimentação equilibrada com a presença de diferentes nutrientes: fornecedores de energia (hidratos de carbono, proteínas e lípidos), vitaminas e minerais (como as vitaminas A, B6, B9, B12, C e D e o cobre, ferro, selénio, zinco) e água, que conseguimos encontrar através de uma alimentação saudável:

  • Fracionar a alimentação em várias refeições ao longo do dia, não estando mais do que três horas e meia sem comer, para não passar por momentos de fome e manter os valores de glicemia sanguínea normais;
  • Começar o dia com um pequeno-almoço completo, variado e equilibrado, permitindo a recuperação do longo jejum noturno e fornecendo energia para todas as atividades diárias;
  • Optar por métodos de confeção saudáveis: cozidos a vapor, grelhados, assados e estufados com refogado em cru, evitando frituras e assados com gordura, bem como o consumo das partes carbonizadas dos alimentos grelhados;
  • Privilegiar o consumo de carnes brancas, pescado e ovos, aparando e retirando todas as gorduras visíveis;
  • Fazer um consumo adequado de hortícolas, através da inclusão da sopa no início das refeições principais (ajuda a controlar o apetite e a obter fibras, vitaminas e minerais) e da salada/legumes e hortaliças cozidas no acompanhamento destas mesmas refeições;
  • Consumir 2 a 3 porções de fruta por dia;
  • Beber água em abundância, infusões ou chás sem adição de açúcar, ingerindo pelo menos 1,5 L de água por dia e evitando a ingestão de refrigerantes e álcool;
  • Adotar o azeite em detrimento de outras gorduras quer para temperar quer para cozinhar;
  • Evitar alimentos salgados e doces.

Muito se fala também sobre a transmissão do COVID-19 através dos alimentos, mas segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar e a Organização Mundial da Saúde não existe, até ao momento, evidência de qualquer tipo de contaminação através do consumo de alimentos cozinhados ou crus.

Independentemente disso, é importante reforçar as boas práticas de higiene e segurança alimentar mencionadas pelas entidades competentes: lavagem frequente e prolongada das mãos; desinfeção apropriada das bancadas de trabalho e das mesas com produtos apropriados; a não contaminação entre alimentos crus e cozinhados; confeção e empratamento a temperaturas apropriadas; lavagem adequada dos alimentos crus; a não partilha de comida ou objetos durante a sua preparação, confeção e consumo; e, adoção de medidas de etiqueta respiratória durante a preparação, a confeção e o consumo de alimentos.

Posto isso, resta-me pedir que se mantenham seguros e que cumpram todas as recomendações da Direção-Geral de Saúde e se protejam.

Depois da tempestade virá a bonança!

 

Adaptado de:

– Direção-Geral da Saúde. Novo Coronavírus, COVID-19 – Alimentação. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. 19 de março de 2020.

 

 

 

Carina Ferreira

Nutricionista C.P. nº2984N