Tem trinta anos, é natural da Venezuela, mas com dois anos já vivia na região da Bairrada, no concelho de Anadia. O gosto pela cozinha vem de “tenra idade”, aliado a uma grande paixão pelas artes, que fez com aos dez anos já integrasse um grupo de dança jazz na Poutena. Hoje, Luís Silvestre está em Lisboa, onde faz parte do elenco de dois musicais de Filipe La Féria. Dançar, diz, será “até o corpo poder e o coração deixar!”.

Nasceu na Venezuela, mas do que se recorda da infância é “de brincar na horta, no meio das couves” por terras da Poutena. “Sempre gostei de cozinha”, explicou o jovem, relembrando que foi precisamente esse o curso que tirou na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra.

Um gosto sempre acompanhado por uma grande paixão pela dança e por isso, não é de estranhar, que aos dez anos, Luís Silvestre já integrasse o grupo de Dança Jazz da Poutena, onde esteve como aluno oito anos “sempre com a mesma professora”. “Quando a professora saiu, eu e mais dois colegas decidimos assumir o projeto e, durante três anos, dei aulas sozinho desde os mais pequeninos aos adultos”, explicou ao nosso jornal.

Nesta altura já tinha a formação em Cozinha e trabalhava no setor da restauração na zona da Bairrada. Os tempos livres continuavam a ser dedicados às aulas de dança e na aposta na formação em zumba, área onde também deu aulas durante quatro anos. A cozinha começava a passar para segundo plano e só tinha tempo para “fazer algumas horas”.

Em 2014 entra na Escola Superior de Dança em Lisboa na vertente de Dança Clássica e Contemporânea. “Passei na audição e vim viver para Lisboa, deixando mais de metade do meu trabalho ‘aí em cima’”, relembra Luís Silvestre, recordando “a lesão que teve num joelho em maio de 2015”. “Sentia-me frustrado por apenas conseguir estar nas aulas teóricas e acabei por congelar a matrícula e voltar para a Bairrada”, confessa.

Em outubro desse ano, e já melhor, fez o “casting” para bailarino do grupo Hi-Fi, onde ficou como bailarino durante dois anos. “Para o fim, para além de dançar também já cantava. Foram tempos muito engraçados!”, elogia, relembrando que foi na mesma altura que participou no Carnaval da Mealhada pela escola de samba de Enxofães – Amigos da Tijuca -, em 2016 como destaque e, no ano seguinte, como mestre-sala.

Com o “bichinho” do curso por concluir em Lisboa, em finais de 2017, Luís Silvestre regressa à capital e conclui o primeiro ano, trabalhando em “part-time” na restauração, mantendo-se assim até ao segundo ano. Nessa altura (2018) faz provas para o “casting” de Rapunzel, musical de Filipe La Féria, mas não é selecionado. Apesar de não ficar, é chamado pouco depois para fazer testes para a peça da noite “Severa”, onde fica. “Foi no início deste ano, em janeiro, que começaram os ensaios”, explicou sobre o musical que está em cena há já alguns meses, de quarta-feira a domingo, pelas 21h 30m, no Teatro Politeama.

O bailarino foi ainda chamado, em fevereiro deste ano, para fazer parte do elenco da peça infantil de Filipe La Féria que esteve em cena até ao passado mês de junho. “Nesta altura, a participar nas duas peças, deixei a restauração e parei a faculdade”, lamentou o jovem, garantindo que “logo que seja possível” vai retomar a faculdade, “para terminar a licenciatura e quiçá fazer mestrado”.

A dança passou do sonho à realidade e agora, Luís Silvestre promete que será “até o corpo poder e o coração deixar!”. “Tenho que aproveitar toda esta energia e acima de tudo ganhar experiência. Nos ensaios aprende-se muita coisa!”, afiança o jovem, que já foi chamado para a próxima peça infantil “A Rainha do Gelo”.

Apesar de gostar do que está a fazer e de ter consciência “de que está a viver um sonho”, Luís Silvestre garante que “é cá em cima”, por terras da Bairrada, que está o “núcleo forte” – a família e os amigos – a quem visita sempre que consegue.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Créditos fotográficos de Teatro Politeama