Com contas aprovadas, por unanimidade, e sem listas candidatas, a assembleia-geral da Associação de Carnaval da Bairrada ficou marcada pela criação de uma comissão administrativa que assumirá a gestão corrente da ACB, nomeadamente, os preparativos para a realização do Festival de Samba em Setembro de 2019.

O prazo para entrega de listas, que iriam a votação na noite do passado sábado, tinham que ser entregues até à meia noite de 31 de julho, o que acabou por não acontecer e levou a direção cessante a pensar numa alternativa até que venham a ser marcadas novas eleições. Uma situação “a prazo”, segundo Alexandre Oliveira, antigo presidente da direcção da ACB e atual elemento da comissão administrativa, que diz ser uma situação também “pendente de conversações que a ACB está a ter com a Câmara”.

Com elementos da anterior direção e um representante de cada uma das quatro escolas de samba que desfilam no Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, a comissão, aprovada por maioria – com duas abstenções – é constituída por Alexandre Oliveira, Luís Moreira, Nuno Santos, Bruno Diogo, Catarina Pedro, Mário Gaspar, Gustavo Almeida, Rui Aleixo, Carlos Castela, Armando Oliveira, Miguel Oliveira, Rita Fernandes e Patrícia Pinto.

São estes os nomes que estão, para já, a preparar o Festival de Samba, o evento que marca anualmente o arranque do Carnaval da Mealhada do ano seguinte. “Soubemos há dois dias que não haveria nenhuma lista candidata e, portanto, só a partir desse momento começámos a pensar neste evento”, explicou Alexandre Oliveira, acrescentando que a data apontada é a do fim-de-semana de 20 e 21 de setembro, mas que “ainda nada está definido”, nem mesmo se o evento se realizará em dois ou em apenas um dia.

O relatório das contas de 31 de maio de 2018 a 31 de maio de 2019 teve um resultado líquido positivo em cerca de 24.800 euros. “Um valor que cobre o prejuízo de 23 mil euros que obtivemos nas contas de 2017-2018 e ainda deixa cerca de dois mil euros em caixa”, referiu Bruno Diogo, adiantando ainda que foi feito um pedido à autarquia mealhadense para ser acionado o subsídio extraordinário, uma vez que o desfile de terça-feira foi cancelado devido à chuva que se fez sentir durante toda a manhã e início de tarde.

Nos maiores proveitos estão o subsídio da Câmara da Mealhada – 24 mil euros para a realização do Carnaval de 2019 e 24 mil euros do subsídio extraordinário referente ao cancelamento de um dos corso em 2018 (recorde-se que, este ano, a Câmara subsidiou diretamente as quatro escolas de samba num total de 36 mil euros); cerca de 58 mil euros de entradas nos corsos (39 mil euros no desfile de domingo e 19 mil no corso nocturno); cerca de 9.500 euros provenientes da Tenda  (o espaço é de entrada gratuita, sendo a receita apenas proveniente dos consumíveis); 10.686 euros de donativos recebidos; e cerca de 9.600 euros de receita de feirantes e venda de bilhetes das bancadas. O total dos proveitos foi de 137.121,28 euros.

Nos gastos, as principais rubricas são: cerca de 5.800 euros para despesas anuais com a sede; cerca de 4.300 euros para a realização do Festival de Samba que, em 2018, contou com apenas um dia; 12 mil euros para os carros alegóricos e cerca de cinco mil euros em despesas no Barracão. Para os grupos apeados do corso foram gastos cerca de 5.900 euros e para o som 14.950 euros; mais de nove mil euros para segurança (GNR e Prosegur) e cerca de 5.500 euros para despesas com bancadas, seguros, walkie talkies, deslocações e iluminação nocturna. Os reis do Carnaval tiveram um custo de 4.500 euros onde se inclui a presença, despesas e alojamento; cerca de 28 mil euros para a Tenda; cinco mil euros de taxas e licenças; e em publicidade e material de promoção cerca de 12.500 euros.

O total dos gastos foi de cerca de 111.819,65 euros.

 

Assembleia-geral marcada pela fraca adesão dos sócios

A sessão ficou ainda marcada pela fraca presença de sócios, o que levou André Castanheira, da escola de samba Sócios da Mangueira, a fazer uma declaração de voto, onde lamentou o número reduzido de assistência na assembleia-geral.

“Chega a ser vergonhoso olhar para esta sala”, lamentou o elemento da atual comissão administrativa da escola da Póvoa da Mealhada, garantindo ser aquele o local para se falar e discutir problemas. “Não é na rua, nem no Facebook,” rematou.

 

Mónica Sofia Lopes