Moradores da Rua Central em Alpalhão, no concelho de Anadia, estiveram, na manhã de 17 de abril, na reunião pública da Câmara Municipal, lamentando terem sido multados junto às suas habitações, num local onde, muitos deles, dizem estacionar “há trinta anos”, mas, ao que tudo indica, incide numa infração ao Código da Estrada.

“Não temos onde estacionar e sempre que a GNR passar naquela rua pode autuar-nos por estarmos a infringir a lei”, declarou uma das moradoras, garantindo que a Guarda Nacional Republicana de Anadia “já está a acompanhar o caso” e que “existe até um abaixo-assinado” a circular.

Na prática, e tal como acontece em outras freguesias do concelho de Anadia e em outros locais da região, numa via de dois sentidos em que parte de uma delas seja habitualmente utilizado para estacionamento, o artigo 50 do Código da Estrada dita que se esteja perante uma infração.

E, alegadamente, terá sido isso que aconteceu a 5 de março, tendo as multas chegado a casa das pessoas há poucos dias. “Alguns de nós vivem ali há trinta anos, sem ter onde estacionar e sem garagens nas habitações”, lamentou a mesma munícipe.

“Só em minha casa foram duas multas, mas se estivessem os quatro carros eram quatro. Não se ganha para as multas!”, lastimou também outra das munícipes que se deslocou à reunião camarária. “É um meio pequeno, não há registo de acidentes e sempre passaram ali camiões, semi-reboques e bombeiros. Nunca houve preocupação”, continuou, alegando que a GNR se defende com situações de emergência em caso de necessidade de se passar na via.

“Se a preocupação é a segurança não é mau trabalho, o problema é que envolve as pessoas erradas porque não conseguimos resolver o problema”, disse outro dos moradores, interpelado por uma das colegas que defendeu que “mesmo que não se conseguisse passar, quando os carros estão à porta, as pessoas estão em casa e podem resolver o problema em caso de necessidade”.

Nas palavras do grupo de oito moradores, que se dirigiu à Autarquia, “a GNR sugere que aquela via passe a sentido único”.

Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, informou que a situação é idêntica em outras localidades, nomeadamente, em Sangalhos, Avelãs de Caminho e junto à Secundária em Anadia. “As estradas não dão para alargar e tem sido de tal modo preocupante que o assunto já foi abordado em Conselho de Segurança”, referiu a edil, acrescentando que “tem sido pedido à GNR bom senso para, em conjunto, caso a caso, se encontrar uma solução razoável”, inclusive com a participação de presidentes das Juntas de Freguesia.

“Já pedimos calma, pois cada lugar tem as suas características. É preciso bom senso e razoabilidade”, enfatizou a autarca, alegando “excesso de zelo”. “O sentido único, em Sangalhos, por exemplo, minimizou o problema, mas isso pode não acontecer em todas as situações”, acrescentou.

Na tarde da passada quarta-feira, contactamos, através de email, o Comando Geral da GNR. Ação à qual ainda não tivemos resposta.

 

Mónica Sofia Lopes