A direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia garante que vai “responsabilizar na justiça” todos aqueles que veicularam “graves insinuações e calúnias” num programa televisivo, transmitido na tarde do passado dia 16 de novembro, onde comandante e presidente, entre outras coisas,  são “acusados” de terem sido vistos alcoolizados no quartel.

A tarde do passado dia 16 começou, para muitos anadienses, com a visualização de um programa televisivo onde alegadamente operacionais, uma vez que nenhum das(os) “queixosas(os)” mostraram a cara durante a peça, acusaram presidente da direção e comandante, ambos nos cargos há poucos meses, de um conjunto de coisas de que estes apelidam de “maledicência, mesquinhez e cobardia”.

Num comunicado enviado às redações, na passada segunda-feira, a direção garante que “perante esta forma miserável de fazer informação não deixaremos de agir em conformidade para com a estação de televisão, que se prestou a este papel vergonhoso bem como, e sobretudo para com aqueles, que estando já todos identificados, serão responsabilizados na justiça perante tão graves insinuações e calúnias que veicularam”.  “Se isto apenas visasse alguns cidadãos que constituem a Direção e Comando, provavelmente o desprezo e a indiferença seriam a melhor resposta. No entanto, foi posta em causa a nobre Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia e não deixaremos de ir até às últimas consequências com todos aqueles que tentaram manchar o seu prestígio e bom nome”, lê-se ainda no mesmo documento.

No rol das queixas, e pelo que o «Bairrada Informação» conseguiu ver e ouvir de um programa da Linha Aberta de Hernâni Carvalho, há afirmações de que “todos os dias saem bombeiros do quartel (vinte e sete nos últimos meses)”, acusações de que o comandante está sempre nas redes sociais e que “utiliza uma das viaturas da corporação para passear e ir para o café”, bem como, na presença do presidente, já terem sido vistos “alcoolizados no quartel”. As queixas focaram ainda a existência de “assédio moral”, “convites a bombeiras para tomar café por parte de elementos da direção” e que a Equipa de Intervenção Permanente “apenas tem um elemento, quando deveria ter sido cinco”.

E a direção apelida toda esta situação de um “ataque calunioso”, que coloca “em causa o bom nome de todos aqueles que diariamente trabalham para esta causa sem esperar protagonismos, recompensas ou outro tipo de benefícios, apenas movidos pelo sentido altruísta de fazer o bem a quem necessita”.

Já sobre o programa, no documento lê-se que tudo isto “só é possível porque vivemos tempos em que os media se preocupam essencialmente em dar voz àqueles que, sempre que podem, têm como propósito de vida contribuir para um mundo mais miserável, sofrido e hipócrita”.

“Apesar da nossa boa-fé neste processo, o modelo e propósito do programa em causa não nos permitiu esclarecer e repudiar todas as calúnias feitas”, escrevem ainda, agradecendo “as centenas de mensagens de solidariedade” que têm vindo a receber “dos diferentes quadrantes” e deixam claro, “não só àqueles que nos caluniaram, mas também aos que assistem na plateia à espera do nosso desistir e do nosso desalento, que acreditamos na justiça deste país para que os cobardes e caluniadores não medrem numa sociedade onde muitos de nós temos princípios de vida diametralmente opostos e as nossas vidas são disso o melhor testemunho”.

 

Assunto “questionado” em Assembleia Municipal

O assunto foi também questionado, na última Assembleia Municipal de Anadia, por João Tiago Castelo Branco, da bancada social-democrata, que perguntou a Teresa Cardoso, presidente da Câmara e responsável pela Proteção Civil no concelho, “como está a gerir esta situação extremamente grave e que não traz nada de bom ao município de Anadia?”.

A edil respondeu que, tal como em outras situações no passado, a Câmara “não se mete na gestão e funcionamento dos Bombeiros”, assumindo que são sempre situações “chatas”.

“Não é nada simpático para Anadia, muito menos para a corporação e para todos aqueles que dão o seu contributo e apoio naquela associação”, referiu ainda Teresa Cardoso, garantindo, contudo, que “internamente, a situação está estável”.

Também Manuel Pinho, presidente da Assembleia Municipal, referiu: “Ficamos todos preocupados, mas não devemos dar relevância a situações sem rosto”.

Rui Bastos, deputado eleito pelo PCP, alertou para o facto “de ser importante saber-se se é ou não verdade que a EIP (Equipa de Intervenção Permanente) tem apenas um elemento”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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