Iniciar a utilização do bacio e largar as fraldas é uma enorme aventura que, regra geral, demora algum tempo e requer uma boa dose de paciência e bom senso por parte de todos os envolvidos.
Assim sendo, qual é o momento indicado para habituar a criança ao bacio?
Não existe uma resposta concreta a esta pergunta. A ida ao bacio deve ser quando a criança se encontra física e emocionalmente preparada. Nesta fase, pais e educadores, têm um papel importantíssimo e precisam de atuar em conjunto para identificar os sinais de maturidade da criança para ajudá-las e orientá-las no uso do bacio e/ou da sanita.
Não nos podemos esquecer que a habituação ao bacio ou o largar da fralda não acontece de um dia para o outro nem de “qualquer maneira”. A criança tem de entender o porquê e para quê da utilização do bacio, portanto, não deverá ser obrigada a permanecer sentada causando, assim, a sensação que não está a corresponder as expectativas dos adultos.
Por tudo isto, e para evitar que esta experiência seja difícil para a criança, este documento surge como como uma forma de esclarecer e orientar os Pais e cuidadores durante este período.
Primeiramente, é importante compreender e conhecer os sinais de maturidade que a criança deverá apresentar:
Sinais Físicos:
Faz muito chichi de uma vez só (e não um bocadinho de cada vez);
Faz cocós mais sólidos em horários mais ou menos regulares;
Fica com a fralda seca durante 3 a 4 horas;
Estar consciente das suas necessidades, antes de fazer, agachando-se, escondendo-se.
Consegue despir-se sozinha, baixar as calças, tirar a fralda, baixar e subir as cuecas.
Sinais comportamentais, emocionais e sociais:
Fica incomodado quando a fralda está suja;
Dá sinais físicos e sonoros de estar a fazer cocó;
Consegue ficar sentado durante 5 minutos na mesma posição;
Gosta de usar o bacio;
Revela autodomínio;
Não demonstra resistência a ideia de usar o bacio ou a sanita;
Tem capacidade de entender uma ordem simples.
Sinais linguísticos:
A criança compreende instruções complexas;
Sabe diferenciar o chichi do cocó;
Sabe nomear o chichi e o cocó.
Estes são alguns dos sinais para percebermos se a criança está pronta ou não para largar a fralda. No entanto, não têm de estar todos presentes para o início da utilização do bacio.
Para facilitar a utilização dos bacios devemos seguir alguns critérios fundamentais para que a criança não associe o bacio a algo negativo, como por exemplo:
A utilização do bacio deverá ser feita sempre às mesmas horas e apenas durante 5 a 15 minutos. A criança pode ter um livro ou brinquedo durante este tempo e não deverá nunca estar sozinha;
É importante motivar a criança festejando sempre que fizer chichi ou cocó no bacio, não sendo permitida a punição/humilhação quando tal não acontece;
A criança deverá ver o que fez (o tradicional “Adeus ao chichi!”) e posteriormente deitar na sanita;
Sempre que acontecer um “acidente” a roupa deve ser imediatamente mudada sem fazer “má cara”;
A maioria das crianças consegue controlar a eliminação diurna de fezes e urina entre os 18 e os 36 meses. O controlo da eliminação nocturna é mais tardio, dependendo da maturação das funções orgânicas durante os ciclos de sono e do seu equilíbrio emocional e afetivo.
Práticas a ter em comum com as educadoras:
Traga o seu filho com roupas práticas, para que ele próprio se consiga despir-se sozinho – evite jardineiras e body’s (substitua por camisola interior);
Traga o seu filho vestido com cuecas por cima da fralda;
Traga sempre várias mudas de roupa completas: camisolas, calças, cuecas, meias e uns sapatos (porque durante o período do desfralde pode acontecer ficarem molhados com os “acidentes”);
No caso de estar no período do desfralde seja sempre coerente, isto é, não faça “batota” e não coloque a fralda em situações que lhe possa dar mais jeito;
Nos primeiros tempos não devemos deitar o chichi ou cocó fora com a criança a ver, dado que, ao fazer no bacio, é como se seja um presente, pelo que a criança não perceberá porque está a deitá-lo fora.
Este período é muito importante para a criança e, por isso, deve ser feito com muito carinho e respeito pelo ritmo da criança.
Desta forma, é muito importante existir cooperação e compreensão entre a instituição e a família!
Artigo de Daniela Nunes – Educadora de infância na Creche do Centro de Assistência Paroquial da Pampilhosa
Imagem de capa: shara_tissi (pixabay.com)























