É de conhecimento geral que quem trabalha o dia todo sentado em frente ao computador, trabalha na área da restauração, é cabeleireira(o) ou tem outra função que exija muito trabalho de braços é normal sofrer de tendinites. E o que é uma tendinite?

Tendinite é a inflamação do tendão (“tend” de tendão e “ite” de inflamação) e pode surgir por várias causas. Estas podem ser microtraumatismos repetidos, profissionais ou desportivos (também é muito comum as tendinites no cotovelo dos tenistas, por exemplo), ou ser de origem degenerativa, provocando o envelhecimento dos tecidos, um desgaste ou mesmo uma ruptura de fibras de colagénio que constituem o tendão.

Os sintomas são principalmente: a dor que se acentua à palpação, à contracção e alongamento do músculo associado. Muitas vezes a amplitude do movimento fica reduzida e a pessoa queixa-se que “não tem posição para dormir”, isto porque para além de a dor provocar desconforto, o calor da cama acaba por piorar a inflamação.

As tendinites mais comuns surgem na articulação do ombro e cotovelo mais precisamente no tendão do bicípite braquial e no tendão da musculatura extensora que se insere no epicôndilo lateral (mais conhecida por epicondilite), respectivamente. De facto estas são as mais comuns da minha prática clínica mas a tendinite pode surgir em qualquer outro tendão. É importante esclarecer que o tendão é um tecido fibroso que liga e “fixa” o mrita2úsculo ao osso. O tendão é flexível mas tem pouca elasticidade (pois quem tem de ter elasticidade é o músculo) no entanto, é muito resistente.

O diagnóstico em Osteopatia é sempre feito depois de uma avaliação global de todo o corpo porque muitas vezes, a causa da tendinite não está nos movimentos repetidos mas sim na inervação do músculo em questão. Isto é, a inervação deste músculo tem origem na cervical (C5 e C6), podendo qualquer alteração a nível destas vértebras comprometer o bom funcionamento das estruturas. Poderá haver uma diminuição no espaço entre as vértebras num dos lados e levará a uma compressão do nervo, levando assim a uma irritabilidade deste que consequentemente irá comprometer outras estruturas, como os vasos sanguíneos (défice na vascularização). Se for este o caso, o tratamento passa pelo alívio dos sintomas mas o mais importante é restabelecer a parte estrutural, a cervical. Seguindo sempre os conceitos Osteopáticos, se conseguirmos tratar a origem do problema a probabilidade de ele voltar é muito menor.

No entanto, defendo sempre uma terapia multidisciplinar. Na minha prática clínica costumo recomendar à pessoa que complemente o tratamento com a Medicina Chinesa, de maneira a obter resultados mais rápidos.

 

Rita Fernandes

Osteopata