Nome: Mariya Dzhochka

Idade: 30

Naturalidade: Ucrânia

Profissão: Professora, atualmente desempregada

 

Mariya Dzhochka tem 30 anos, é natural de Burshtyn, na Ucrânia, e vive em Portugal há seis anos. A Mealhada foi o local escolhido por ser o centro do país e «estar perto de tudo». Ela é mestre em filologia ucraniana e polaca e actualmente está desempregada. O marido é engenheiro elétrico e, em Portugal, é camionista internacional. Em busca de uma vida melhor, Mariya Dzhochka garante que o que importa é «ter saúde e ir em frente». Adoram bacalhau e o famoso pastel de nata.

Mariya Dzhochka e Slavik Shchur são pais de Marta Shchur, a menina com quase seis anos que já nasceu em terras portuguesas, depois do casal ter escolhido Portugal para morar aquando de uma visita em 2014. «Gostámos do país e, para além disso, o meu pai vive cá há 20 anos», explica a jovem, que é mestre em filologia ucraniana e polaca pela Ivan Franko National University of Lviv. «Antes de vir para cá, trabalhei numa escola secundária como professora polaca e dava também as minhas próprias aulas», conta.

O marido é engenheiro elétrico. Formado pela Lviv Polytechnic National University, tendo trabalhado na REN, na Ucrânia. «As pessoas procuram sempre uma vida melhor e nós também. Os ordenados lá são baixos e o custo de vida é idêntico ao daqui. Um professor, por exemplo, ganha 200 euros», desabafa Mariya Dzhochka, lamentando que, em Portugal, trabalhem ambos em áreas bem diferentes. «O meu marido é camionista internacional e eu, neste momento, estou desempregada, mas já trabalhei numa fábrica e num restaurante. Não foi fácil, mas foi uma boa oportunidade para aprender a cozinhar comida portuguesa», afirma.

Antes da pandemia, Mariya Dzhochka dava um apoio na Escola Girassol em Águeda. «Para não perder as minhas competências profissionais procuro sempre webinars sobre metodologia para explicar a língua e cultura polacas», conta.

A escolha da Mealhada para viver foi fácil. «É no centro do país. Fica perto do Norte e perto do Sul e muito perto da praia. Nós gostamos de viajar e descobrir locais novos», sublinha, desvendado que a vivência em Portugal tem vários lados. Positivos, negativos e até divertidos. «Nos primeiros tempos, tivemos que nos habituar a tirar senhas em todo o lado e a marcar consulta no Centro de Saúde. Na Ucrânia só agora começou essa prática», diz, elogiando o sistema de Segurança Social, bem como o da saúde, português: «Se ficares sem trabalho ou de baixa, tens uma ajuda. Se te acontecer alguma coisa e tens que ir para o hospital, não ficas preocupada com o que tens de pagar pelo atendimento. Na Ucrânia as coisas são muito difíceis».

Também na educação, a jovem vê diferenças, elogiando «a organização de trabalho» que existe em Portugal. Para além disso, em terras portuguesas o almoço «tem uma hora certinha». «Na Ucrânia, na hora de almoço, eu fazia compras, pagamentos e muito mais coisas, ou seja, almoçava já em casa perto do jantar», explica, recordando também que se tiveram que habituar a dar «dois beijinhos nas bochechas» sempre que viam alguém conhecido ou chegavam a algum lado.

A língua foi o mais difícil, mas o casal contou com a experiência do pai de Mariya. «Primeiro começámos com o inglês e depois, devagarinho, fomos introduzindo o português. Ao início trocava cenoura com senhora», diz, garantindo ainda que, nesses primeiros tempos, quando se deslocavam aos supermercados não compravam nada em que fosse preciso falar: «Comprávamos tudo embalado, o queijo, peixe, carne, pão, etc. Depois começámos com os primeiros passos a dizer algumas coisas e a utilizar os dedos».

Por outro lado, diz, que já se habituaram «a viver sem aquecimento central nas habitações e a beber café depois do almoço». «Adoramos bacalhau e pastel de nata», remata.

 

«Mais importante é ter saúde e vontade de ir em frente»

«Nos primeiros três anos não conseguimos sair de Portugal por causa dos documentos. Neste momento, para irmos à Ucrânia, quem manda é o covid-19», diz Mariya Dzhochka, que confessa que «às vezes pensam em regressar» ao país de origem, mas «não temos certeza se isso vai acontecer». «Aqui a vida é melhor, na educação, na saúde e nas oportunidades futuras para a Marta», diz.

Do que têm mais saudades é da família e dos amigos. «Por causa disso, procurámos aqui uma missa ucraniana, onde, em tempos normais, vamos no primeiro domingo de cada mês e ao sábado, levamos a Marta a uma escola em Águeda onde aprende a brincar e a cantar, em ucraniano, com amigos que fez lá», explica, acrescentando que quando falam com a família da Ucrânia, «eles já utilizam palavras como “tchau”, “beijinhos”, “tudo bem”, “parabéns”, “praia”, “batata frita” e “amigos”».

Nos tempos livres gostam «de descobrir Portugal e viajar». «Nem sempre é fácil, mas tudo se faz e resolve, o mais importante é ter saúde e vontade de ir em frente», enfatiza.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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