A Câmara da Mealhada aprovou, na manhã de ontem, com os votos contra dos três vereadores da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, o orçamento municipal para 2021, que ultrapassa 24,2 milhões (três milhões superior ao de 2020). O documento contempla um conjunto de novas obras, nomeadamente a construção do novo edifício municipal e a requalificação urbanística do centro histórico da Mealhada, mas não convence a oposição que considera que “o orçamento é o resumo do que foi prometido até 2017 e que não foi cumprido pelo executivo”.

São diversos os investimentos, na sede do município e nas freguesias, que serão iniciados – e com grande parte da obra concretizada – em 2021. A obra do novo edifício da Câmara Municipal figura à cabeça com uma dotação superior a dois milhões de euros (com outros quatro milhões de investimento previsto para 2022 e 2023), seguindo-se a requalificação urbanística do centro histórico da Mealhada, com mais de um milhão de euros, a que se soma ainda o parque de estacionamento da Mealhada, que custará 690 mil euros. Destaque ainda para a requalificação da Piscina Municipal da Mealhada, um investimento que ascende a mais de 1,3 milhões de euros e a concretização da Casa da Juventude, em Ventosa do Bairro, orçada em 250 mil euros.

Nos investimentos que transitam de 2020 e com conclusão prevista para 2021, na sede do Município, incluem-se a conclusão do Mercado Municipal da Mealhada, com mais 1,1 milhões, a requalificação do Bairro Social da Póvoa, com uma verba de 580 mil euros, a conclusão da empreitada de ligação dos sistemas de alta e baixa da Mealhada, com 655 mil euros, e a conclusão das obras na Escola Secundária da Mealhada, com um custo de 915 mil euros. O processo de aquisição da Quinta do Murtal, que permitirá reordenar urbanisticamente a sua envolvente com um Plano de Pormenor, terá a sua conclusão também no próximo ano, traduzido num investimento de meio milhão de euros

 

Investimentos na Pampilhosa e Luso

Além da cooperação com as juntas e a união de freguesias, os documentos previsionais para 2021 contemplam obras de maior investimento como a aposta num sistema inovador de recolha de resíduos, cujo investimento ultrapassa 1,1 milhão de euros. No Luso, sobressaem os investimentos relativos ao Parque de Estacionamento (410 mil euros) e à Sala Polivalente, cujo início será em 2021, com dotação de 52 mil euros, mas com grosso da obra, no valor de 1,7 milhões de euros, a desenvolver-se nos anos seguintes.

O mesmo acontece na Pampilhosa com diversos investimentos. A requalificação da baixa iniciar-se-á no próximo ano, estando dotada uma verba de 62 mil euros, mas a obra, de mais 2,8 milhões, concretizar-se-á nos próximos anos. Também o “Chalet Suisso” terá o início da empreitada de recuperação (36 mil euros), desenvolvendo-se a obra, de mais de 1,5 milhões, em 2022 e 2023. A ecopista de Pampilhosa à Figueira da Foz, em cooperação com a CIM- Região de Coimbra, será também uma obra a concretizar em 2021.

Em Barçouço, prevê-se uma intervenção no local da feira de Santa Luzia, no valor de 170 mil euros, e prevê-se também, na freguesia da Vacariça, a conclusão do Regadio de Santa Cristina, obra de 135 mil euros.

Na Mata Nacional do Bussaco estão previstas, nos próximos anos, obras de reparação das garagens do Palace (960 mil euros) e de recuperação do Chalet de Santa Teresa e ermidas residenciais.

O orçamento prevê ainda obras em viadutos e arruamentos um pouco por todo o município, num investimento superior a 2,3 milhões de euros.

Segundo o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Rui Marqueiro, “este é um orçamento que procura o incremento do investimento tendo em conta a inapropriadamente chamada bazuca, bem como o novo período de programação, mantendo sempre um saudável equilíbrio financeiro”.

 

“Orçamento atrasado em mais de quatro anos”, diz Hugo Silva

“Este orçamento é como um relógio com os ponteiros soltos, parece que está certo 2 vezes ao dia, mas está apenas a apontar para baixo e, neste caso, atrasado em mais de 4 anos”, afirmou, na sua declaração de voto, o vereador Hugo Alves Silva, acrescentando, mais tarde num comunicado remetido aos órgãos de comunicação social, que há “muitos milhões, para tudo e para todas as freguesias, é assim que se vende a ilusão, mais uma vez. As verdadeiras preocupações sociais estão quase fora deste orçamento, limitam-se a apagar fogos e uma vez mais não existe uma linha sobre estímulo económico para a criação de emprego, o que mostra que o Município vai sem rumo”.

Em resposta, na reunião do executivo, que se realizou por videoconferência, o presidente da Câmara da Mealhada referiu que “o pior cego é aquele que não quer ver”, acrescentando que “um mandato tem quatro anos” e que “não há nenhum executivo que não deixe obra para o executivo seguinte”.