Uma cidade é, inevitavelmente, a junção de pessoas e do território terreste que faz parte de uma determinada região de um país. Mas, mais do que a terra, são as pessoas que alí pertencem. E estes individuos são, mais do que nunca, a grandeza de uma cidade. São eles que, para além de possuírem as suas próprias vidas, dão a existência, resistência e identidade daquilo que dizem ser deles e que lhes pertence com toda a legimidade. Pois, foi dalí, com certeza, que começaram a ver os primeiros raios de sol.

Hoje, com a situação atual da qual todos (de uma forma geral) estamos a sofrer na pele, a cidade de Faro também está a sofrer. Uma cidade habituada a estar fora de casa e a misturar pessoas com variadas nacionalidades nas suas pequenas ruas do centro, na sua ria formosa e na sua praia com areias douradas que cobre uma distância de cinco quilometros por todo o litoral da ilha com o próprio nome.

Tristemente, decidiu ficar em casa para o bem de todos, os que ali passam, os que ficam e daqueles que nunca saem dela. Faro é solidária com o mundo que se fecha a si mesmo e junta-se às outras cidades do país num grito em conjunto “vamos todos ficar bem”.

O “ficar bem” de que todas as cidades desejam traz ao de cima o Poema de Ana Ito (in Saúde em debate: 1999:5) que diz assim: “Nem todos gostam da solidão/Eu gosto/Na solidão alcanço utopias/A solidão faz sempre pensar no outro/Buscar compartilhar os sonhos com o outro/Assim surge a comunhão…”. Enquanto se vive o que ninguém previa, assim continua a capital do sul, quieta no seu canto e bem resguardada de forma a voltar mais forte e dar aquela luz do Astro-Rei aos seus, aos que ficam e aos que estão de passagem.

Tal como Manuel Alegre afirma no seu último poema Lisboa Ainda (2020): “(…) fechada dentro de si mesma ainda é lisboa/cidade aberta/ainda é lisboa de Pessoa alegre e triste/e em cada rua deserta/ainda resiste”. A capital algarvia também segue, apesar do seu autoprisionamento, ainda é a capital da região com mais horas de sol, ainda é a cidade com cheiros e sabores diferentes, aínda é ria formosa e praia, ainda é aquela com o pôr de sol irresistível e sim, ainda é o cantinho à beira-mar plantado na tranquilidade do sul da Europa que continuará a resistir como sempre.

 

Referências Bibliográficas:

Siqueira, J. E. (1999) Saúde em Debate, Revista do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, Rio de Janeiro, vl.23, nº53, 02-106.

Alegre, M. (2020) Lisboa Ainda, Disponível em https://www.facebook.com/manuelalegre.escritor. Acedido em 20 de Março de 2020.

 

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Imagem de capa com Direitos Reservados