Depois de meses em incumprimento, o empreiteiro da obra de reabilitação da Escola Secundária da Mealhada admitiu “não ter condições para a terminar”, tendo pedido “a resolução do contrato”. Uma medida que agradou à Câmara da Mealhada, entidade dona da obra, que prepara agora um concurso público urgente.

O empreiteiro responsável pela obra da Escola Secundária da Mealhada, adjudicada em maio de 2018 e com uma previsão de duração de seis meses, reconheceu, recentemente, perante a autarquia “não ter possibilidade de cumprir prazos e nem condições financeiras para o fazer”. Quem o garantiu, na manhã de ontem, 5 de julho, foi Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, explicando que a resolução do contrato foi feita em comum acordo, evitando assim um processo litigioso que faria com “a obra ficasse totalmente parada”.

A obra, que deveria ter terminado em novembro de 2018, não só não estava concluída nessa altura, como ainda muito havia a fazer. “Gostava de perceber todo o processo, de como é que foi sendo acompanhado e do porquê de só agora se proceder à resolução?”, questionou Hugo Silva, da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, acrescentando que o relatório apresentado indica que “apenas pouco mais de vinte e cinco por cento dos trabalhos estão feitos”. “Um número que nos surpreende e que não bate certo com o que foi sendo dito na Assembleia Municipal”, enfatizou.

“Explorámos todas as hipóteses possíveis”, defendeu Arminda Martins, vereadora responsável pelo pelouro das Obras. Uma declaração corroborada por Rui Marqueiro que disse ter sido feita “muita pressão” sobre o empreiteiro, mas que este, sempre depois das reuniões, aparecia com um novo caderno encargos, “mostrando-se sempre interessado em não abandonar a obra”. “Chegou a um limite que já não dava mais e ele próprio assumiu o bloqueio que tinha com os fornecedores”, rematou.

Durante todo o período de atraso na empreitada, a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas da Mealhada foi se manifestando, por diversas vezes, nomeadamente com deslocações a Assembleias Municipais, desagradada pela situação, lamentando que a comunidade escolar estivesse a ser prejudicada.

“Tenho ideia de que se tudo correr bem com o concurso que estamos a preparar, que dois / três meses chegam para terminar a obra. Se tivermos a sorte de ter um empreiteiro razoável e não houver reclamações, acredito que as coisas corram bem”, acrescentou ainda o autarca.

A reunião ficou ainda marcada pela votação de uma proposta para prorrogação do mandato, de cinco anos, de António Gravato, presidente da Fundação Bussaco, por mais um ano. Uma votação, que a lei obriga a que seja realizada por voto secreto, mas que o executivo assumiu, publicamente, a orientação dos votos, tendo os três vereadores da coligação votado contra.

“O mandato na Fundação é de cinco anos, nós (Câmara) temos mais dois. Se nomearmos agora alguém, outro executivo poderá ter que ‘pagar’ mais três anos com um presidente que nós escolhemos”, defendeu Rui Marqueiro, enfatizando que António Gravato tem “em mãos” alguns projetos em desenvolvimento.

Declaração que não convence a oposição. “Não vemos sentido nenhum numa prorrogação de mandato por mais um ano”, referiu Hugo Silva, concluindo que “mal estaria a Fundação se só dependesse do seu presidente”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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