“A Mata do Bussaco requer as palavras todas”. A declaração é de José Saramago, mas foi, na manhã da passada sexta-feira, 19 de julho, replicada pela secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, logo após a inauguração da obra de requalificação do Convento de Santa Cruz e das Capelas dos Passos da Via Sacra. Um investimento global de cerca um milhão de euros, apoiado pelo Centro 2020 e em que a percentagem de componente nacional foi suportada pela Câmara da Mealhada, que “se substituiu ao papel do próprio Estado”.

“Quando chegámos aqui há cinco anos, chovia dentro do Convento”, declarou António Gravato, presidente da Fundação Bussaco, garantindo que, das primeiras coisas que fez, em conjunto com o presidente da Câmara da Mealhada, foi preparar uma candidatura para reabilitação do referido património. Acerca da Via Sacra, o presidente da Fundação disse “ser a única réplica no mundo fiel à de Jerusalém”.

“A empreitada, adjudicada a uma empresa especializada na reabilitação, conservação e restauro do património construído, englobou trabalhos de conservação e restauro em fachadas, paredes e tectos interiores, recuperação de vãos interiores e exteriores, recuperação de coberturas e intervenções pontuais de correcção em drenagem de águas pluviais e em pavimentos”, explica, em comunicado, a autarquia mealhadense, sobre uma obra, iniciada em março de 2018, que obedeceu a projetos aprovados pela Direção Regional de Cultura do Centro e que sofreu constrangimentos devido à passagem da tempestade Leslie em outubro do ano passado.

“O momento que hoje assinalamos testemunha um esforço partilhado e participado em prol do património português e do seu conhecimento, preservação e divulgação, a que o Ministério da Cultura se associou, através da Direção Regional de Cultura do Centro”, referiu a secretária de Estado, acrescentando que “as intervenções que aqui tiveram e terão lugar, inserem-se numa lógica e numa finalidade em que o património, mais do que uma memória do que aconteceu, deve ser presente e futuro, deve ser visível e visitável em condições dignas e que dêem a conhecer a herança cultural portuguesa”.

Defendendo que “o património requer o esforço de todos”, Ângela Ferreira deixou uma janela aberta para o apoio à reabilitação do Chalet de Santa Teresa e das Garagens do Palace que, entre coisas, prevê a criação de um centro de interpretação.

A intervenção agora inaugurada no Convento não fecha o ciclo das necessidades do espaço, com a Capela e as figuras religiosas nela contidas a precisarem de uma intervenção a rondar os quinhentos mil euros. Um investimento que poderá vir a ser alvo de uma candidatura com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

“Vamos continuar a lutar pela Mata do Bussaco”, garantiu Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, enfatizando o desejo “de tentar restaurar as Garagens e o Chalet de Santa Teresa nos próximos dois anos”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de José Moura e Mónica Sofia Lopes, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/