A primeira pedra, que é como quem diz a primeira árvore, do projeto Bosque Madiba foi lançada, na tarde de ontem, na Mata Nacional do Bussaco e plantada por Ndaba Mandela, neto do líder histórico e dirigente da Fundação Africa Rising. Os mentores da iniciativa – Fundação Bussaco, Câmara da Mealhada e Associação Patrulheiros – esperam, em julho de 2020, inaugurar o Bosque dedicado à história de vida de Nelson Mandela.

Se fosse vivo, Nelson Mandela tinha comemorado, ontem, 101 anos. Foi, aliás, esse o motivo para a escolha da data de apresentação pública do projeto. “É a primeira vez que Ndaba sai do país de origem numa data tão importante e que marca toda a sua família”, garantiu, aos jornalistas, José Nuno Amaro, presidente da Associação Patrulheiros, enfatizando que o neto de Nelson Mandela “acredita muito neste projeto”.

A data de lançamento, recorde-se, coincide com o Dia Internacional Nelson Mandela, instituído pela Organização das Nações Unidas, uma homenagem pela sua dedicação ao serviço da humanidade, resolução de conflitos, relação entre as raças, promoção e proteção dos direitos humanos, bem como a reconciliação, igualdade de géneros e direitos das crianças e outros grupos vulneráveis, e ainda pelo desenvolvimento das comunidades pobres ou subdesenvolvidas.

O Bosque Madiba, que se pretende que em 2020 apresente uma silhueta de Nelson Mandela, terá cem árvores, cada uma representativa de um episódio da vida do líder histórico. Ontem foi plantada a 18.º por Ndaba Mandela, estando, a partir de final de setembro, as restantes 99, disponíveis para serem apadrinhadas por associações, instituições ou empresas. Será realizada uma maquete com as árvores, onde os “padrinhos” poderão escolher o local e a quantia que pretendem gastar, que terá, sabe-se para já, um valor base de 1.500 euros.

Depois de escolhido o projeto, de uma panóplia de três apresentados por José Nuno Amaro a Ndaba Mandela, houve um período de candidaturas, onde estiveram “cidades de peso”. “Quando a Mealhada se apresentou com a Mata do Bussaco, candidata a Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), foi a cereja no topo do bolo”, referiu o presidente da Associação Patrulheiros, garantindo ser este um “feito único, que tem que ser preservado e representar um orgulho para esta terra”.

Para Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, “tudo o que se fizer por Nelson Mandela será pouco, mas representará um pequeno contributo na preservação de todo o seu legado”. O autarca não tem dúvidas de que daqui a uns anos “o Bosque Madiba seja um grande ponto de visitação”.

Ndaba Mandela elogiou o legado do avô que “trabalhou sempre a favor da comunidade”, garantindo que, na tarde de ontem, dia 18 de julho, se “celebrou Nelson Mandela”, ficando agora “a responsabilidade de se trabalhar os valores das gerações mais novas”.

Para breve ficou “prometida” a apresentação de um programa educativo, que envolverá as escolas do concelho da Mealhada, associado e desenvolvido no Bosque Madiba.

“Nós podemos mudar o mundo e torná-lo um lugar melhor. Está em nossas mãos fazer a diferença”. Se fosse vivo certamente que, no dia de ontem, Nelson Mandela replicaria esta declaração da sua autoria.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de José Moura, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/