“…faz precisamente hoje, 15 de Maio – em 1947 foi quinta feira de ascensão, dia da espiga – 72 anos que naquela manhã fresca de Maio, ao lume, onde a lenha de azinho defumava as chouriças da matança de ante véspera, a tomar o pequeno almoço de pão e café de cafeteira – cevada torrada – que Arménio Sá Camboa e Maria Olímpia se questionaram.

E se assássemos um leitão para os petiscos?

À data eram já proprietários, há uns 8 anos, de uma pequena taberna de beira de estrada, onde vendiam petiscos que aconchegavam o estômago aos passantes. A maior parte das vezes o courato, a moela ou o chouriço, eram pretexto para mais um copo. O tinto predominava. De Baga. Carrascão. É assim foi. Assaram um leitão que venderam num abrir e fechar de olhos.

Foi o primeiro de muitos!!!!

Quarenta anos depois foi Licínia Ferreira, sobrinha de Arménio e Olímpia, que agarrou com garras imensas o negócio.

Passou dificuldades. Muitas.

Os tempos eram de crise e a restauração ficava em plano terciário nas necessidades dos portugueses.

Mas a sua determinação, vontade de querer, tenacidade e trabalho, fizeram o Rei que hoje um pouco por todo o mundo se conhece.

Abdicou de muitas coisas. De viver, por vezes.

Mas valeu a pena. Valeu muito a pena.

O Rei faz hoje 72 anos.

A festa vai ser rija!

Viva o Rei…”

 

As palavras foram, ontem, publicadas na página oficial do Rei dos Leitões no Facebook e serão a melhor forma de se descrever os setenta e dois anos do reconhecido restaurante que, em 2019, conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, o “Garfo de Ouro” do Guia Boa Cama Boa Mesa, do Expresso.

Ontem, a noite foi de emoções, principalmente para Licínia Ferreira, proprietária do espaço, que não conteve as lágrimas ao recordar os tios e na hora de agradecer a Paulo Rodrigues, gerente do espaço, e às centenas de pessoas que marcaram presença na festa, cuja animação foi uma constante.

Amigos, clientes, fornecedores e parceiros…. Ninguém quis faltar à celebração dos setenta e dois anos do Rei dos Leitões, onde o leitão e o vinho foram os ingredientes essenciais, a par com as atuações do Grupo de Bombos Só Pedra, de Portunhos; do músico lusense Miguel Silva; da escola de samba Sócios da Mangueira, da Póvoa da Mealhada; e do músico José Cid.

Os momentos foram registados pelo «Bairrada Informação», através de videos e de reportagem fotográfica, de José Moura, que podem ser vistos em https://www.facebook.com/bairradainformacao/.

 

Mónica Sofia Lopes