“É verdade que existiram algumas não conformidades identificadas e comunicadas ao Grupo Hotéis Alexandre de Almeida, pela ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) e pelo CDOS (Comando Distrital de Operações) de Aveiro”. Quem o garantiu, ao nosso jornal, foi Alexandre de Almeida, administrador do Grupo, referindo-se a uma vistoria realizada no Palace Hotel do Bussaco, no passado mês de julho, que resultou num aviso prévio de que se as correções não fossem feitas, o espaço tinha que ser encerrado. O assunto tem sido referenciado em várias sessões municipais, nomeadamente, pela oposição do executivo camarário liderado por Rui Marqueiro, que afirma que o edil apresentou “queixa” da unidade hoteleira a diversas entidades.

A vistoria, realizada no passado dia 17 de julho, contou, e segundo Alexandre Almeida, “com representantes do executivo (presidência e vereação) da Câmara da Mealhada, de técnicos municipais, da Fundação Bussaco, da Direção Regional da Cultura do Centro, da ASAE e do CODS de Aveiro da Autoridade Nacional de Proteção Civil”. É aliás a “pedido da Autarquia” que o administrador afirma que foi realizada esta vistoria.

Uma visita que Rui Marqueiro garante só ter acontecido após receber “denúncias sobre  o estado inqualificável de como o Palace se encontrava”. “A central de incêndios estava inoperacional, sem poder funcionar. Só isso, num país civilizado, determinaria que o Hotel encerrasse no imediato”, explicou, na noite da passada sexta-feira (28 de setembro), na Assembleia Municipal da Mealhada, acrescentando que só não aconteceu “porque o senhor Mourato Nunes (presidente da Proteção Civil) fez um despacho dando a hipótese das irregularidades serem corrigidas”. Correções que, ao que tudo indica, se estenderam à cozinha e copa do Hotel.

E Alexandre de Almeida confirma “que existiram algumas não conformidades identificadas e comunicadas ao Grupo dos Hotéis AA, pela ASAE e pelo CDOS de Aveiro”, garantindo, contudo, que “não é de estranhar”, dada a “situação contratual que o Estado determinou em 2006”.

O administrador afirma ainda que “as não conformidades foram resolvidas, em prazos muitíssimos curtos, após o conhecimento dos respetivos relatórios inspetivos”, adiantando que, “na presente data, não há qualquer impedimento e/ou limitação ao desenvolvimento da totalidade da atividade hoteleira no ‘Palace Hotel do Bussaco’”.

O Grupo Hotéis Alexandre de Almeida explora o Palace Hotel do Bussaco desde 1917. Em 2003, e segundo Alexandre Almeida, o Grupo “fez uma proposta à tutela para renovação e requalificação total do hotel, inclusive com projeto para instalação de um spa e piscina”. Isto aconteceu, um ano antes de terminar o anterior contrato, definido pelo Estado Português, que vigorava desde 1986 e que ainda é o que se mantém em gestão e “sem obras de requalificação”.

Em 2016, a Fundação Mata do Bussaco promoveu um concurso internacional para exploração do hotel, mas o Grupo Alexandre de Almeida interpôs uma providência cautelar, que estagnou o concurso até hoje. E Rui Marqueiro não entende: “A empresa Alexandre Almeida tem direito de preferência, desde há muitos anos, por qualquer concurso que seja feito no Palace do Bussaco. Não consigo compreender como se deixa uma casa chegar aquele estado”.

Alexandre Almeida garante que “o adiamento de decisões pelo Estado Português impediu novos investimentos”, mas enaltece o facto, de apesar disso, “o Palace do Bussaco” ter sido nomeado, no ano passado, “para o prémio ‘Classic Luxury Hotel of the Year’ no âmbito dos ‘European Awards 2017’ do ‘Luxury Travel Guide’”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura