Os problemas osteoarticulares são hoje mais valorizados pelos sistemas de saúde em todo o mundo devido ao aumento da sua prevalência, às incapacidades que geram e por contribuírem para as patologias crónicas que afetam a população com mais de 65 anos de idade. 

Sabe-se que os indivíduos com excesso ponderal tendem a desenvolver massa óssea de maior densidade para suportar o peso do corpo e, que por outro lado, a magreza ou desnutrição predispõe um maior índice de fraturas em mulheres jovens e de osteoporose em idosos com baixo peso.

Por isso, uma nutrição adequada, em qualquer idade, pode fazer toda a diferença na saúde osteoarticular, proporcionando uma melhor qualidade de vida.

Contudo, a condição osteoarticular pode ser influenciada, positiva ou negativamente, por outros fatores, nomeadamente: número de gravidezes; clima/exposição solar; desporto ou exercício-físico regular; medicação; consumo de álcool, tabaco e substâncias ilícitas; exposição a tóxicos e radioatividade.

A nutrição desempenha então um papel importante no desenvolvimento de um esqueleto saudável mesmo antes do nascimento. Assim, em termos nutricionais, existem nutrientes essenciais aos ossos e às articulações, onde as suas doses diárias recomendadas variam de acordo com o género, a faixa etária, a gravidez ou a amamentação.

O aporte adequado de cálcio, principal mineral envolvido na saúde óssea, pode ser obtido com facilidade, dada a sua abundância e biodisponibilidade, através da ingestão de leite, queijo, requeijão e iogurte.

Perante situações de alergia, intolerância ou aversão, importa referir que o cálcio necessário também se pode encontrar, embora em menor quantidade, na sardinha em lata, nos hortícolas de cor verde escura (couves, brócolos e nabiças), nas leguminosas (principalmente no feijão) e nos frutos oleaginosos (nozes, amêndoas e avelãs).

É importante alertar que a presença de fitatos, que se encontram nos cereais integrais, e de oxalatos, que se encontram nos espinafres, podem diminuir a absorção de cálcio. Tal como a cafeína e o sal, que potenciam a eliminação de cálcio pelo organismo, como o consumo excessivo de proteínas e gorduras, que aumentam a excreção urinária de cálcio.

A vitamina D é também um nutriente crítico na saúde óssea, porque se não existir em quantidade suficiente o cálcio proveniente da alimentação não será absorvido, comprometendo-se assim a boa calcificação.

As fontes alimentares desta vitamina são limitadas e incluem, essencialmente, os peixes gordos (atum, sardinha e salmão) e os óleos de peixe, fígado e ovos. Na verdade, a principal forma de sintetizar a vitamina D necessária é através da exposição da pele à luz solar.

Também o fósforo, o magnésio, o ferro, o zinco, a vitamina A e a vitamina K são nutrientes importantes para a saúde dos ossos e das articulações.

Atualmente, existem no mercado diversos suplementos que melhoram a saúde osteoarticular que só devem ser tomados com o conhecimento e supervisão de um médico ou nutricionista: é o caso dos ómega-3, que são anti-inflamatórios e melhoram as dores articulares; e, da cartilagem de tubarão, glucosamina e condroitina, que promovem a formação de cartilagens e de líquido sinovial, favorecendo a elasticidade, a mobilidade e a diminuição da dor. Estes suplementos não substituem uma alimentação saudável e equilibrada, a prática de atividade física regular e uma moderada exposição ao sol.

 

 

Carina Ferreira

Nutricionista 2984N