Fui estudar psicologia para Lisboa e queria ter ganho um cêntimo de cada vez que ouvi a seguinte frase:
“Ah és da Mealhada? Paro lá sempre que vou para o Porto!”
Isto acontece porque a Mealhada fica ali a meio caminho, não é? A meio caminho entre Lisboa e o Porto, a meio caminho entre Porto e Lisboa, a meio caminho entre colesterol alto e um enfarte do miocárdio se uma pessoa não tiver uma alimentação regrada e apostar no exercício físico…
É que não há cá desculpas, o Parque da Cidade é tão bonito que parece que uma pessoa fica magra e esbelta só de olhar para ele.
E o nosso pão? Quando ia à padaria em Lisboa arreliava-me muito ver lá escrito “Pão ‘Tipo’ Mealhada”. Porque a palavra “tipo” significa duas coisas diferentes para mim e para o padeiro. Para o padeiro significa “é parecido com o pão da Mealhada” e para mim significa “não tem nada a ver o cu com as calças”.
Entretanto formei-me em Psicologia. Mas confesso que não dava para psicóloga… é que não me vejo a ficar horas sentada a ter de levar com as pessoas a falarem delas e a queixarem-se dos seus problemas. Para isso vou ao facebook, escuso de andar a abrir clínicas.
E depois eu ia recomendar as terapias mais divertidas, e não as mais corretas! Vem o paciente lá com os problemas dele, carregadinho de depressão e eu dar conselhos do género: “olhe lá, o amigo já experimentou beber um shot de whisky? Comigo resulta!”
Uma vez tive uma entrevista de emprego para ser psicóloga mas não fui escolhida. Mais tarde soube que era para fazer acompanhamento psicológico dos concorrentes do Big Brother. Ia ser muito divertido, é pena que a minha especialização não seja em Psicologia Animal.
Catarina Matos
Mealhadense emigrada na Alemanha
Humorista e atriz





















