O «Movimento Fazer Acontecer – Rotunda Aguim EN1 (IC2)» voltou a fazer-se ouvir, esta semana, com maior intensidade, depois de mais um acidente junto ao cruzamento de Aguim, no Peneireiro, perto do restaurante Virgílio dos Leitões, no concelho de Anadia, registado na passada quarta-feira e que recordou a colisão «grave» do dia 7 de maio, «que envolveu cinco pessoas, duas delas crianças». Assim que as condições sanitárias o permitam, os mobilizadores do movimento prometem a realização de um cordão humano no local em defesa da construção da rotunda.

Um acidente ocorrido a 7 de maio de 2021 foi o mote para que um conjunto de cidadãos se mobilizasse publicamente contra uma luta que já vem de trás. Em 2012 e 2013 dois acidentes fizeram duas vítimas mortais. Em novembro de 2013, a Junta de Freguesia remete um ofício para a Estradas de Portugal onde em resposta há a indicação de uma intervenção prevista no decurso do segundo semestre de 2014. Em julho de 2015, no despacho publicado em Diário da República pode ler-se que a construção da rotunda é de «utilidade pública» com «carácter de urgência», para «expropriações dos bens imóveis e direitos a eles inerentes, necessários à execução da referida obra, (…), louvando-se a urgência das expropriações das parcelas de terreno abaixo identificadas no interesse público subjacente à célere e eficaz execução da obra projetada».

Em 2017, há uma «reformulação geométrica da intersecção» e, dois anos mais tarde, a Infraestruturas de Portugal fala em «restrições orçamentais impostas», obrigando a empresa a revisitar todos os investimentos programados, mas deixando a garantia de que a referida empreitada em Aguim «consta no plano de proximidade 2019-2021 desta empresa».

Até à presente data, e, entretanto, com mais dois acidentes ocorridos no local em maio e em julho de 2021 e movimentações por parte da Junta da União das Freguesias de Aguim, Tamengos e Óis do Bairro e do Município de Anadia, até ao momento a Infraestruturas de Portugal não deu qualquer resposta. «Sentimo-nos tristes e impotentes também», lamentou, ao nosso jornal, Julieta Campos, uma das acidentadas em Maio passado, defendendo que «é um direito ter segurança todos os dias».

Nos últimos dois meses foram também recolhidas assinaturas para um abaixo-assinado que será remetido para a Assembleia da República e, na semana passada, colocadas tarjas no local, onde a população questiona «para quando uma rotunda?», aludindo também às expressões «mais mortes, mais acidentes?».

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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