A Sala Museu “Comendador Melo Pimenta”, situada no edifício do Turismo Luso, inaugurou na manhã do passado sábado, 1 de junho, e contou com a presença de um neto do benemérito. A obra, levada a cabo pela Junta de Freguesia, teve um custo superior a vinte mil euros e, para além de perpetuar a memória de Manuel de Melo Pimenta, representa mais uma atração na vila lusense.

Manuel de Melo Pimenta nasceu no Luso a 3 de fevereiro de 1893, mas partiu para o Brasil com catorze anos, onde foi acolhido pelos tios, com filhos também nascidos no Luso, contudo, desde “tenra idade” a viverem no Bairro do Brás, em São Paulo. Com um imenso gosto pela leitura, Melo Pimenta ajudava o tio na carpintaria e estudava à noite, tendo concluído o curso comercial no Liceu de Artes e Ofícios. De regresso ao Luso casou com a sua prima Marinha, com quem teve um filho, o Dimas. Em idas e voltas entre Portugal e o Brasil, numa delas aflige-se com a pobreza que vê no Luso e “oferece às famílias carenciadas um Bairro Social com trinta casas”, o até hoje designado de Bairro Melo Pimenta. Patrocina ainda a construção de um edifício onde instala a sopa dos pobres, que “alimentava em média trinta a quarenta pessoas por dia”.

A história foi recordada, no passado fim-de-semana, e Emanuel Dimas de Melo Pimenta, neto do “Comendador” mostrou-se emocionado, na presença de autarcas e população do concelho mealhadense. “Uma pessoa sem história não é nada, não é ninguém!”, referiu, elogiando a iniciativa perante uma plateia de cerca de quatro dezenas de convidados.

A passagem de Emanuel Melo Pimenta começou na sexta-feira, onde foi conhecer o Centro Social com o nome do seu avô e o Bairro que este ofereceu à localidade. “Adoraram a vila, as ruas, as casas senhoriais,…”, disse Claudemiro Semedo, presidente da Junta do Luso, satisfeito por Emanuel Pimenta não ter vindo sozinho e ter dado a conhecer a vila a alguns dos amigos que tem em Portugal, nomeadamente, o reconhecido guitarrista clássico Silvestre Fonseca.

“Espero que este Museu seja uma mais valia para o turismo e visto como uma oferta complementar na região”, afirmou ainda, relembrando a génese do projeto: “A de perpetuar a memória de quem fez muito bem pelo Luso”.

A obra, com uma exposição em bilingue, teve um custo de cerca de vinte e três mil euros, entre montagem, execução e obras no espaço. “É um nome muito relevante para a freguesia do Luso e achamos que o público e a população lusense e do concelho merecem ter este espólio disponível”, rematou o autarca.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura em https://www.facebook.com/bairradainformacao/