Não quis acreditar quando recebi o envelope que dizia: “De: Rádio Universitária do Algarve; Para: Mamadu Alimo Djaló (Animador das Manhãs à Sexta)”. Aguentei alguns minutos e ao mesmo tempo desviei a conversa como forma de ganhar coragem para poder abrir o envelope dirigido a mim. Os três amigos e mentores, diziam, cada um à sua maneira: – Abre, pode ser uma coisa boa… Ah, também pode ser uma crítica!

Eu, na minha inocência e desatenção, não percebi que esta manobra foi engendrada por estas três pessoas e mais duas que não conhecia. Ignorei o emissor do sobrescrito. Só queria saber o que lá estava dentro. Uma mistura de sentimentos tomou conta de mim, sem saber se devia ou não abrir, se abria com a mão esquerda ou com a direita. Via no rosto daqueles indivíduos a enorme vontade de verem a minha cara depois de desvendar o mistério e nas suas testas aparentava estar escrito – Abre lá; abre logo; vá abre…

Confuso, nesta situação de surpresa e pressão, lá consegui abrir o dito envelope. Respirei fundo em busca da coragem e ainda supliquei baixinho para garantir que o Universo estaria comigo naquele momento. Abri e encontrei uma folha que dizia no seu topo – Aqui estão os dados da sua reserva. Nunca me senti tão estranho como naquele momento e comecei a responder mesmo antes de colocar a mim próprio qualquer pergunta – Ah… já sei. Estive a ver há dias o preço de voo para Bissau… se calhar foram eles que enviaram esta carta. Depois contrariei-me – Não! Não pode ser, porque os responsáveis do site não me conhecem, portanto, não pode ser isso!

Os três pares de olhos focados em mim, pareciam estar a dizer: – A solução do mistério está toda aí…. Voltei a ver novamente o papel que tinha na mão e continuei a não entender a verdadeira intenção daquela reserva em meu nome com a descrição: Faro-Bissau; Bissau-Faro. Olhei para eles e disse: – Não estou a perceber nada disto. Imediatamente, compreendi que estavam a contrariar a sua vontade de sorrir. De repente percebi e comecei a “acusá-los” como responsáveis por aquela reserva.

Ao mesmo tempo que riam, cada um a dizia novamente à sua maneira: – Vais Guiné Aly. Esta reserva é de um bilhete já comprado para a tua ida à tua terra.

As diferentes informações que recolhi naquele instante deixaram-me incrédulo… Não queria acreditar no que via e ouvia. A alegria era enorme e indescritível. Novamente dei a razão à frase que li algures: “O universo nunca falha e as pessoas nem sempre te dão aquilo que tu pedes ou aquilo que mereces”.

Também reconheci que apesar de tudo, dar é a forma mais profunda e leve de receber alguma coisa.

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL

 

Imagem de capa: pixabay.com