De regresso a Portugal, Carolina Pessoa, a jovem fadista oriunda do concelho de Cantanhede, dá conta dos espetáculos e do que viveu na tournée em França, em Saint-Étienne, organizado pela Universidade Jean Monnet e pelo Instituto Camões, que decorreu no auditório da Universidade, na Sala Jacques Brel, organizado pelo ACP e em Lyon, no grande auditório do Lycée St. Marc.

“Esta senda de espetáculos foi muito interessante, pois em todos eles encontramos muitos alunos que estão a aprender a língua portuguesa, bem como franceses que estão a descobrir o fado e a cultura portuguesa. Houve até quem tivesse feito uma viagem de quatro horas para nos ouvir. Encontrámos um público muito caloroso, e uma comunidade portuguesa a residir em França, muito forte e ativa”, referiu.

Este espetáculo de Fado Cruzado, um projeto do Fado ao Centro, que cruza os sons de Coimbra e Lisboa, foi do agrado de todos, pois há muito que se esperava também pelo Fado de Coimbra, uma novidade na sexta edição de Fado em Lyon. João Farinha foi a voz de Coimbra, Luís Barroso e Luís Carlos Santos, os guitarristas dos dois estilos.

Sendo este  um espetáculo único do Fado ao Centro, um projeto original que permite ao público ter contacto com o melhor que a música portuguesa oferece, os fadistas Carolina Pessoa e João Farinha entregaram-se de alma e coração e arrancaram ao povo francês calorosos aplausos e repetidos “encores”.

“É maravilhoso perceber o alcance e efeito do nosso legado musical, naqueles que nunca tiveram qualquer contacto com a nossa língua ou cultura. Há uma espécie de efeito que não sei traduzir e que prende o público, que não entende uma palavra de português, mas ri e chora de emoção com o que transmitimos no fado. Quando tal não acontece é porque o fadista naquele momento não soube sentir com verdade, o poema que cantou. Por isso, também, me sinto imensamente responsável e procuro honrar e respeitar, o melhor que posso e sei aquela que é a Canção Nacional”, referiu Carolina Pessoa.

Marcou presença e usou da palavra, o Cônsul de Portugal em Lyon, Luís Câmara Brito, que declarou o seu amor pelo Fado e assim se pôde verificar, dado que marcou presença em dois espetáculos, que terminaram com o público a entoar fortes aplausos e a gritar “encore”, “encore”.