O edifício da escola é antigo, mas lá dentro o futuro é pensado, dia após dia, colocando em prática medidas de sustentabilidade ambiental. Há reciclagem de tudo o que se possa imaginar e cultivam-se alimentos, procurados por quem vive ao redor. As portas da Escola Básica 1 de Casal Comba foram abertas ao nosso jornal para um roteiro feito por crianças dos oito aos dez anos.

São cerca de quatro dezenas as crianças que frequentam, no ano lectivo de 2018 – 2019, do primeiro ao quarto ano, a EB1 de Casal Comba. Ali, os alunos tanto estão sentados em contexto de sala de aula, como com as mãos na terra a cultivarem salsa, couves, fisális e rosmaninho,… Até o fertilizante utilizado na horta, agora em pousio, é proveniente de um compostor de madeira, feito pelas professoras e alunos. São eles, aliás, que nos mostram um caixote repleto de cascas da fruta. “Ficam tristes quando vêem um caroço de maçã no chão da rua e ‘ralham’ uns com os outros quando alguém se engana e não coloca o plástico ou papel no sítio certo”, explica-nos a professora Lúcia Ferreira.

São muitos os programas, quase uma dezena, em que a escola está envolvida. Há, contudo, aqueles que marcam pela diferença, como é o caso do “Sementário da horta” que levou a que a instituição de ensino arrecadasse o terceiro prémio, a nível nacional, no programa Eco-Escolas. “Temos sessenta e quatro sementes diferentes”, contam-nos em uníssono as duas dezenas de crianças que nos guiaram até à sala de atividades para vermos a mostra.

Antigas caixas de vinho das Caves Messias são o ponto de partida para que tudo esteja direitinho numa parede. “As caixas foram-nos cedidas em troca de armadilhas de garrafas para vespas asiáticas, tendo sido o pai de uma das crianças que nos fez as divisórias de cada uma”, continua a professora, focando ser este um trabalho que “envolve a família e a comunidade”. “Algumas sementes estão em saquinhas feitas por duas avós”, enfatiza.

Já no computador, as crianças fazem as etiquetas e a ficha técnica de cada uma.

Na manhã da passada segunda-feira, foi a vez de se plantarem bolotas trazidas de uma visita ao Centro de Interpretação Ambiental da Mealhada. “Numa só atividade são várias as competências educacionais que podemos desenvolver com as crianças. Para além disso, a ideia é sempre a da proteção do planeta através do desenvolvimento sustentável”, continua a professora, adiantando que já houve pessoas, até de Coimbra, a quererem os produtos da nossa horta escolar, nomeadamente, cenouras, alfaces e tomates.

Na passagem da horta para o interior do edifício, num dos corredores, são visíveis vários suportes de reciclagem. São os alunos quem nos chamam a atenção. “Recolhemos tinteiros para a Abraço, o papel para o Grupo Sócio Caritativo da Mealhada e o pilhão mandamos diretamente para Lisboa”, explica Lúcia Ferreira, orgulhosa por “todos os alunos da escola atingirem o número mínimo de recolha de óleo alimentar proposto pela Câmara”.

Fora de portas, a escola faz também parte do “Projeto Rios”, tendo adotado “um pedaço do rio Cértima na Via Romana”. “Em primeiro fizemos uma ação de limpeza, recolhendo o lixo do rio e ao seu redor. Depois passámos às medições do caudal e densidade”, continua a professora, que considera que este ato “os fará sentirem-se, para sempre, co-responsabilizados por aquele pedaço do rio”. Para além disso, garante, “colocamos na mesma atividade as disciplinas de Estudo do Meio e Matemática”. “Fazer os cálculos do caudal e densidade do rio é a matemática no seu melhor porque é lecionada em contexto prático e real”, defende.

A escola está ainda a participar no projeto “eTwinning Live”, onde de Casal Comba “partiram” mensagens de paz para sete países. Depois da resposta de Espanha, na passada segunda-feira, dia 11 de fevereiro, a carta era inglesa e foi em euforia que os deixámos a ler as mensagens com mil e trezentas milhas.

 

Mónica Sofia Lopes