Numa era em que tudo se tornou e vai se tornando duvidoso, em que as pessoas já não são genuínas o suficiente, o Amor passa a perder o seu reconhecimento sério perante as convivências ou relacionamentos.

Zygmunt Bauman (1925-2017), sociólogo e autor do livro Amor Líquido, demonstra nesta obra as fragilidades dos laços humanos numa era pós-modernidade ou seja numa sociedade líquida, como ele a denomina.

A passagem simbólica do período da modernidade para pós-modernidade é vista pelo autor como uma mudança da modernidade sólida para a líquida. As características da primeira modernidade é encarada com as transmutação clássicas e aparecimento de um conjunto de valores e formas de vida cultural e político, a segunda (líquida), tornou-se “volátil, as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em conjunto, familiar, de casais e de grupos de amigos, de afinidades políticas” entre outras, perdeu a “consistência e estabilidade”.

A perda dessa “consistência e estabilidade” viu-se através da emergência tecnológica nos finais do século XX, que veio afastar em vez de unir as convivências necessárias entre os atores sociais. Trazendo consigo um distanciamento notável por via das redes sociais que por sua vez, deseduca mais do que educa.

Cito novamente Bauman em que afirma que “Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo um traço vivo do eu que ama. No Amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo”. Muitas das vezes não se vê pessoas a transplantar o Amor para o mundo. Infelizmente, o egocentrismo tomou conta das mentes e corações de homens da terra.

No que diz respeito ao Amor, encontra-se várias interpretações de autores diferentes que por sua vez assumem diversos pontos de vista. Portanto, uma das afirmações sobre o Amor que mais me cativou foi quando Filomena Cautela (apresentadora da RTP1) respondeu numa entrevista, sobre aquilo que achava do fenómeno, citando um ilustre pensador que dizia “o amor é descascar uma maçã para o outro”. Assim sendo, para o Solidificar é necessário dar pouca importância ao desejo, embora importante, mas enfatizar mais o afeto para que este se eternize até ao fim das nossas vidas. E nunca deixar de descascar maçã para alguém.

 

Referências Bibliográficas

BAERT, P. & SILVA, F. C. da (2015), Teoria Social Contemporânea. Lisboa. Mundos Sociais. pp.240-245.

CUNHA C. Zygmunt Bauman – O Pensamento do Sociólogo da “Modernidade Líquida”. Brasil. Acedido a 10 de fevereiro de 2019. Disponível em: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/zygmunt-bauman-o-pensamento-do-sociologo-da-modernidade-liquida.htm

Frases Famosas. Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos laços Humanos. Brasil. Acedido a 10 de fevereiro. Disponível em: https://www.frasesfamosas.com.br/s-livro/amor-liquido-sobre-a-fragilidade-dos-lacos-humanos/

Wikipédia. Modernidade. Acedido a 10 de fevereiro de 2019. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Modernidade

Selfie (2018), Filomena Cautela em Entrevista a Cristina Ferreira. Lisboa. Acedido  a 10 de fevereiro de 2019. Disponível em: https://selfie.iol.pt/videos/filomena-cautela-em-entrevista-a-cristina-ferreira/5b3e31b10cf2b1fea7e5dc2d

 

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na Universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL

 

Imagem de capa: biancamentil (pixabay.com)