Todos nós (seres humanos) desde que nascemos passamos a ter um dia que é só nosso. E, ao longo da vida, ganhamos dias que ficam para sempre nas nossas memórias e nunca mais saem dela, e outros, em que muitas das vezes preferíamos nem lembrar.

Geralmente, há pessoas que comemoram tudo e mais alguma coisa, das mais visíveis são as datas de aniversário, comemoração de início de namoro e de casamento, também, o dia da morte de um ente querido, entre outras. Portanto, é importante referir que afinal cada dia é dia de…. Uns mais importante que outros.

Eu, particularmente, sou daquelas pessoas que comemora pouco, mas que se lembra de “quase” tudo. Prova disso, é que hoje (13 de Fevereiro), Dia Mundial da Rádio, recordei a primeira vez que fui a uma estação emissora na minha vida. Na altura, tinha cinco anos, curiosamente calhou numa Sexta-Feira. A razão pela qual o meu professor me levou a mim, e mais três colegas da turma à Rádio Difusão Nacional da Guiné-Bissau, foi porque era primeiro de Junho, Dia Mundial da Criança. Felizmente, o meu nome saiu através de sorteio que o próprio docente realizou.

Com entusiasmo de criança que pela primeira vez vai à Rádio, e também com medo de falhar e não ser escolhido numa próxima, mesmo que o nome saia no sorteio, a mistura de sentimentos cobriu o meu corpo e a minha alma naquele momento. Por fora, concentrado e por dentro, atónito. Ainda assim, fui feliz duas vezes naquele dia: por ser 1 de Junho e por ter ido à Rádio.

Passado esse tempo todo, desde a minha infância e adolescência, a minha relação com o rádio fortificou-se cada vez mais. Lembro-me de termos televisão em casa que funcionava só uma vez por mês, mas a pequena máquina, que só emite som, ouvíamos todos os dias, a toda hora. Tornei-me viciado e passei a admirar profundamente as pessoas que trabalhavam na rádio. Fazia questão de não deixar passar os programas de que gostava.

Quando estava de visita a uma das instalações da Rádio Sol Mansi, em Mansoa, Norte da Guiné, numa Sexta-Feira, de repente, recebo uma chamada do Presidente do Conselho Regional de Juventude, a perguntar se queria uma bolsa de estudo para ir estudar em Portugal. Como é óbvio, aceitei com um sim de letras maiúsculas e profundamente alegre pela noticia que recebi. Finalmente,  há coisas interessantes na vida, que por mais pequeninas que sejam, não deixam de ter as suas merecidas importâncias.

Há pouco tempo, decidi ir conhecer a Rádio Universitária do Algarve, coincidiu novamente fazê-lo a uma sexta-feira. Atualmente, sempre que chega  a sexta-feira, a minha vontade de acordar cedo aumenta, porque é o dia em que faço emissão na RUA.

Conclusão: Com as voltas que a vida dá, em que só a ela pertence desvendar o percurso da nossa caminhada, atravessamos momentos que nunca esqueceremos para o resto da nossa existência. Assim, como esquecer o Dia Mundial da Rádio?

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na Universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL

 

Imagens: Facebook “RUA FM – Rádio Universitária do Algarve”