Atingir trinta por cento de mulheres nos órgãos associativos, promover o rejuvenescimento da União, aumentar a comunicação a nível nacional e tentar criar Associações em mais municípios são os objetivos das Mutualidades Portuguesas para os próximos cinco anos. A reunião anual dos Presidentes Mutualistas aconteceu na manhã de ontem, dia 26 de janeiro, no empreendimento turístico Quinta dos Três Pinheiros, em Sernadelo, na Mealhada.

“Este é um movimento com setecentos e vinte e dois anos de história, mas que teve um momento com menos atividade depois de ter sido muito perseguido no Estado Novo”, começou por explicar Luís Alberto Silva, presidente do Conselho de Administração da UMP, relembrando, contudo, que, nos dias de hoje, existem, em todo o país, mais de dois milhões de mutualistas, na sua grande maioria homens.

E esta é uma das mudanças que a União das Mutualidades Portuguesas pretende para os próximos cinco anos, a de que mais mulheres integrem os Órgãos Associativos Mutualistas. “Neste momento temos quinze por cento, mas o nosso objetivo é atingir os trinta”, explicou Luís Silva, adiantando também quer o rejuvenescimento do Mutualismo português.

“Queremos ter nos órgãos diretivos mais jovens e, para isso, precisamos de uma comunicação mais forte e abrangente”, disse, alegando que “as pessoas não são obrigadas a conhecer o Movimento e que há um grande desconhecimento, também muito derivado à perseguição que foi feita durante o Estado Novo”.

Um desconhecimento que não invalida que a União tenha, espalhada por todo o país, mais de dois milhões de mutualistas. “Mas queremos chegar a mais pessoas com a criação de Associações, a quem prestamos todo o nosso apoio jurídico. Temos respostas, como por exemplo, de Hospitais, clínicas, turismo, farmácias e hortas sociais”, enumerou o presidente do Conselho de Administração da UMP, garantindo que o Mutualismo “pode fazer um trabalho que vais mais além do que fazem as Instituições Particulares de Solidariedade Social ou as Misericórdias”. “Trabalhamos com treze Ministérios”, afiançou.

“No fundo, estamos a falar de uma corresponsabilização. Aqui não vivemos dos subsídios do Estado, são os associados que contribuem e ‘distribuem’ por quem mais precisa”, defendeu ainda o dirigente da UMP.

No encontro que se realizou na Mealhada estiveram meia centena de Presidentes Mutualistas e coube a Guilherme Duarte, vice-presidente da Câmara da Mealhada, enquanto convidado, “abrir” a sessão inaugural. “Foi uma óptima escolha a de virem à Mealhada para esta reunião. Para além da boa gastronomia, temos uma boa localização e uma excelente hospitalidade”, enalteceu o autarca, referindo-se ao Mutualismo como “um associativismo muito forte”.

E aproveitando a presença do autarca, Luís Alberto Silva lançou o repto para que “fosse criada uma marca mutualista na Mealhada, através dos funcionários municipais, como já acontece em Gondomar e São Pedro de Moel”. “O Movimento Mutualista precisa ganhar dimensão, sobretudo, pelo leque de respostas que dá aos problemas sociais. Impõe-se que olhemos à nossa volta e vejamos o que faz falta: lares, apoio às vítimas de violência doméstica, farmácias, hospitais, etc.”, concluiu o presidente do Conselho de Administração da UMP.

 

Mónica Sofia Lopes