Os deputados da Assembleia Municipal da Mealhada aprovaram, na noite do dia 29 de dezembro, por unanimidade, o projeto de alteração do regulamento do Programa de Incentivo à Recuperação do Património Edificado Concelhio (PIRPEC), que revogará o de 1992. Desta forma, o Município pretende ajudar, com mais regalias, as populações do concelho, que não têm meios financeiros para tal, a requalificarem habitações degradadas.

“Tem que haver uma campanha de sensibilização muito forte para que o PIRPEC tenha êxito. Tudo o que for divulgação pública tem que ser uma aposta”, declarou João Louceiro, deputado eleito pela CDU, que defendeu ainda: “Por outro lado, o apoio técnico também tem que ser muito estruturado para que as candidaturas não fiquem a meio”.

Luís Brandão, eleito pela Coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, baseando-se nos destinatários do PIRPEC – todos os interessados titulares de qualquer direito que lhes confira a faculdade de realizar as operações urbanísticas e administrações de condomínios – explanados no documento, declarou: “Desde que falámos aqui no PIRPEC há três anos fiquei entusiasmado com a ideia de ajudar pessoas carenciadas, mas, pelo que vejo no documento, não há diferença entre ricos e pobres”.

Uma ideia que Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, esclareceu: “A parte social da questão estará sempre na decisão final e acredite que nós não iremos apenas pedir o IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares)”. “O PIRPEC vai favorecer quem não tem condições económicas”, deu como garantia o autarca.

E o Programa, para além de pretender ajudar a reabilitar “algum património edificado, localizado nodsc01827s núcleos antigos dos aglomerados urbanos que estão em declínio”, trará também benefícios fiscais.

Assim, as taxas municipais nas Áreas de Reabilitação Urbana da Mealhada terão isenção, as de Luso e Pampilhosa uma redução de cinquenta por cento e as restantes uma redução de vinte e cinco por cento. Taxas municipais díspares que Luís Brandão quis entender o motivo. Uma explicação dada pela Chefe de Divisão de Gestão Urbanística, Margarida Costa, que disse que “a área prioritária dos fundos comunitários é a Mealhada, onde o PIRPEC será mais atrativo”. “Há uma diferenciação de territórios”, garantiu.

Em 12 anos, PIRPEC já atribuiu apoio financeiro a 58 edificações

O PIRPEC, no concelho da Mealhada, desde 1992 (ano em que a autarquia implementou o Programa) até 2008, recebeu “setenta e sete candidaturas, tendo a Câmara Municipal aprovado a atribuição de incentivos financeiros para cinquenta e oito intervenções em edificações”, num valor superior a oitenta e quatro mil euros, o “que corresponde a um valor médio” de perto de mil e quinhentos euros “por obra realizada”.

E são diversos os motivos que levam os munícipes a não procederem a obras: elevados custos de reabilitação; difilcudades de compatibilização quando os imóveis pertencem a várias pessoas; escassez de financiamento; e até a “dificuldade de compatibilizar conforto e qualidade habitacional com as características morfo-tipológica dos imóveis degradados e dos espaços públicos envolventes”.