A Escola Profissional Vasconcellos Lebre leva a cabo, a sua terceira edição da formação «Português Língua de Acolhimento», curso promovido pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, em parceria com o Centro Qualifica da referida escola que se situa na Mealhada. Com início em maio, o novo ciclo integra oito imigrantes oriundos da Venezuela, Cuba, Argélia, Paquistão, Marrocos e Argentina.
A residir em Portugal há dois anos e meio, concretamente no Canedo, freguesia da Pampilhosa, concelho da Mealhada, Abel Guilarte Rodriguez, de 44 anos, oriundo de Cuba, casou por procuração em 2019, com uma mealhadense que conheceu na internet. «Ela esteve lá três vezes e conseguiu perceber que a nossa vida seria muito melhor aqui. Em Cuba vivemos uma ditadura terrível e a população está a vender tudo o que tem, casas, carros e tudo o que conseguem, para sair de lá», disse-nos Abel, licenciado em jornalismo, mas que usufruiu desta profissão por muito pouco tempo: «Não se podia escrever nada. A notícia passa por um comité do Governo e no fundo para trabalhar, eu teria que mentir».
Abel Rodriguez conseguiu recentemente as equivalências do seu país, relativamente ao ensino secundário, e pretende fazer o mesmo para o superior. «É muito difícil conseguir os papéis. Portugal facilita, mas Cuba complica», referiu, confessando que a primeira vez que se sentiu «livre» foi na Mata Nacional do Bussaco: «Quando abri os braços na Cruz Alta».
Numa empresa de viveiros, onde trabalhou, aprendeu muito o português no contacto com o cliente, mas agora com a mudança de trabalho «precisava deste curso e sinto que, para além de falar, agora escrevo a cada dia que passa mais e também melhor».
Oriunda de Marrocos, Hajiba Jbira, de 33 anos, chegou à Mealhada em julho do ano passado, para acompanhar o marido que veio trabalhar. Com dois filhos pequenos, a jovem diz querer trabalhar em Portugal. «Gosto muito de estar nesta cidade. É calma e as pessoas são boas», referiu, ao nosso jornal, utilizando uma plataforma de tradução da internet, uma vez que ainda é muito pouco o que consegue dizer em português. «Estas aulas são muito boas e estou a gostar do que vou aprendendo», diz-nos, enquanto enumera já saber dizer «olá» e «como te chamas?».
Com um grupo de alunos dos 26 aos 57 anos, e a lecionar aulas na EPVL às sextas-feiras e sábados, Sara Pereira explica que os formandos «estão muito motivados pela aprendizagem da língua, mostrando-se sempre presentes, pontuais e responsáveis». «Estamos a falar de pessoas que, na sua grande maioria, trabalham e estão inseridas na comunidade, mas que têm na língua alguns entraves. No caso dos hispânicos é mais fácil trabalhar até porque o alfabeto é o mesmo. No caso dos imigrantes vindos de Marrocos ou da Índia é mais complicado. Privilegiamos sempre o português, mas havendo necessidade recorremos ao inglês, francês ou até o espanhol», explica a formadora.
Vera Neto, do Centro Qualifica da EPVL, garante que «é muito bom receber pessoas no concelho, mas também é preciso integrá-las das mais diversas formas». A formação de Português Língua de Acolhimento, segundo a orientadora, «tem como objetivo qualificar adultos, mas é também uma oportunidade de integrar estes imigrantes que chegam e, com isso, dar-lhes mais oportunidades».
Mónica Sofia Lopes
























