Sob o mote «Correr por quem não pode», o jovem André Oliveira, de 26 anos, está a atravessar a região Centro, em corrida solidária, sozinho, numa missão a favor do Centro Miguel Simas, da APPACDM de Setúbal, através de uma campanha de crowdfunding. O início da partida fez-se, no passado dia 25 de outubro, com a realização da Maratona de Lisboa, sendo que a chegada ao Porto está prevista para o próximo domingo, dia 2 de novembro, depois de totalizar 450 quilómetros em nove dias.

Falamos ao telefone com André, cerca das 16h30 desta terça-feira, dia 28 de outubro. Estava a completar o seu quarto dia em corrida, estando a cerca de dez quilómetros de Alvaiázere. Tinha parado para comer qualquer coisa, perguntando se conseguiríamos ouvir a chuva a cair, bem como a trovoada que se fazia sentir nessa altura. É que nem as condições climatéricas adversas travam André Oliveira de atingir o seu objetivo durante esta semana. «Cada passo pode mudar uma vida e juntos podemos mudar muitas. Esta não é apenas uma corrida, é uma mensagem forte, caso contrário eu não andava aqui à chuva», começa por nos dizer, em jeito de apelo.

Sozinho e de «bagagem» em punho, o jovem, natural de Oliveira de Azeméis, mas que reside em Setúbal há 4 anos, vem preparado para dormir numa tenda, se assim for preciso, percorrendo os demarcados Caminhos de Santiago até ao Norte do país, onde culminará com os 42km da Maratona do Porto. «Felizmente, tenho tido o apoio e a generosidade de pessoas e das instituições para o alojamento», referiu, ao nosso jornal, André Oliveira.

Os 450 quilómetros, de Lisboa ao Porto, ligando as duas maiores maratonas do país, têm por detrás «uma iniciativa solidária a favor da APPACDM de Setúbal, uma IPSS com mais de meio século de existência, que está a construir o Centro Miguel Simas, um espaço que permitirá a dezenas de pessoas com deficiência, dos concelhos de Setúbal e de Palmela, viver com dignidade, autonomia e proximidade às suas famílias. O valor da obra ultrapassa os três milhões de euros e só pouco mais de um milhão será financiado ao abrigo do programa PARES», explica-nos o jovem, que criou, há alguns meses, o projeto Setuvens, «com o objetivo de simbolizar o poder dos sonhos, da superação e da empatia, através da premissa “se tu vens, eu também vou”». «Tenho uma ligação muito forte a estes utentes, uma vez que sou técnico de análises e quando vou à instituição há uma empatia grande entre nós. Comecei a olhar para o trabalho das pessoas que os acompanham e a aperceber-me das necessidades da instituição», diz.

Esta terça-feira metade do objetivo em corrida será atingido, ficando ainda por conseguir o valor de dez mil euros, a meta da missão em angariação monetária. «Temos 175 euros de doações na plataforma crowdfunding provenientes de várias pessoas com quem me vou cruzando, mas sei que este valor vai crescer no final porque antes da partida tive contacto com algumas empresas que mostraram disponibilidade em doar um euro por cada quilómetro atingido. A plataforma ficará disponível até ao próximo dia 9, precisamente para isso», explica.

Depois de Lisboa a Alvaiázere, André Oliveira chegará esta quarta-feira a Coimbra, partindo no dia seguinte até Estarreja, na sua maior etapa, cerca de 80 quilómetros. Segue-se um dia de pausa, voltando à corrida, no sábado, de Estarreja ao Porto (70 KM) e a Maratona do Porto (42 KM) no domingo. «As pessoas reconhecem a causa e é giro porque passam nos carros e gritam “força, André!”», remata.

O percurso deste jovem solidário pode ser acompanhado em https://www.instagram.com/setuvens, já a campanha de donativos pode ser feita através de https://gofund.me/aaf3ed43e.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias com Direitos Reservados