As tempestades que assolaram o país há já algumas semanas foram motivo para um rescaldo dos estragos na última Assembleia Municipal da Mealhada. Segundo António Jorge Franco, presidente da Autarquia, «o concelho teve cerca de 800 ocorrências» e a situação mais crítica encontra-se no Louredo, freguesia de Luso, com o corte de circulação num troço da Estrada Nacional 235 devido a um aluimento.
Foram 800 ocorrências que provocaram «danos em várias infraestruturas, nomeadamente em escolas, Piscinas Municipais, Pavilhão de Barcouço e no estaleiro municipal. Só no Parque da Cidade caíram quase 200 árvores, que danificaram a rede elétrica, o parque infantil e alguma da infraestrutura desportiva», enumerou António Jorge Franco, explicando que «a pior situação se encontra em Louredo». «Serão milhares de euros, mas ainda não há uma fórmula de intervenção», acrescentou o edil referindo-se «a um aluimento de estrada na EN235», que tem provocado que o acesso à aldeia de Louredo seja «efetuado por vias alternativas». Uma preocupação manifestada por João Leite, presidente da Junta de Luso, que recordou que «Louredo tem 23 habitantes, na sua grande maioria idosos».
Fruto de alguma destruição, o presidente do Município afirmou que foram «demolidas duas casas privadas que estavam em perigo, muros e muitas barreiras, tendo havido quatro famílias desalojadas».
Já sobre a preparação feita, o autarca referiu que «quando chegou à Câmara, o Município não estava preparado para calamidades, mas agora está» exemplificando «com a intervenção feita no rio Cértima; a prevenção em estradas, o que fez com que tivéssemos cortes pontuais; e criamos o setor da Proteção Civil, que tem um coordenador e um conjunto de funcionários, que quando chegámos nem isso havia». «Antes do evento chegar estávamos todos operacionais – Bombeiros, GNR, Câmara e Juntas -, fomos para a rua e atuamos de forma digna. Se o impacto não foi maior é porque estivemos no terreno desde o primeiro minuto, inclusivamente tínhamos geradores preparados para colocar em locais prioritários», defendeu, garantindo que «excetuando uma zona na Póvoa da Mealhada, a E-Redes trabalhou muito bem no concelho».
O presidente da Câmara da Mealhada disse ainda que a Autarquia «acompanhou uma vistoria ao Palace do Bussaco» e teve contacto com o presidente da Fundação, sabendo que «os estragos na Mata do Bussaco – maioritariamente com a queda de árvores – foram reportados ao secretário de Estado das Florestas».
Sobre a comunicação de estragos, o autarca recordou que «a CCDR tem formulário e candidaturas abertas», explicando que «ainda não foram submetidas muitas, porque muitas delas tinham seguros».
O assunto «do comboio de tempestades» veio à tona pela bancada do Partido Socialista, que quis «perceber os estragos existentes no concelho e quais as expectativas de canais de financiamento». João Silva defendeu que o Município usufruiu do fator «sorte», uma vez que «foi atingido lateralmente pela tempestade».
Na sessão fez-se um minuto de silêncio «em memória das vítimas» das intempéries de janeiro e de fevereiro.
Mónica Sofia Lopes






















