«Análise e discussão sobre as soluções logísticas provisórias adotadas durante as obras de requalificação dos Centros de Saúde da Mealhada e da Pampilhosa e o seu impacto no acesso das populações aos cuidados de saúde» deram o mote a uma assembleia municipal extraordinária, pedida pelas bancadas do PS e PSD. Poucas horas antes da sessão, também o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses denunciava, em comunicado, a falta de condições nos contentores instalados na Unidade de Saúde Familiar da Mealhada.
Às primeiras horas da manhã de terça-feira e, tal como o presidente da Autarquia da Mealhada, António Jorge Franco, tinha avançado, na reunião do executivo, no dia anterior, os contentores provisórios na Mealhada foram reforçados com uma Tenda, que abrangeu toda a área provisória. Uma medida que, contudo, não chega, defende a oposição. «Na Pampilhosa, apelamos para que sejam centrados todos os serviços na vila e, caso isso não possa acontecer, que a mobilidade dos utentes seja assegurada», referiu Joana Sá Pereira, deputada eleita pelo PS, defendendo que haja «humanização nas instalações temporárias, para que nenhum utente esteja ao relento». «A colocação de uma Tenda não vai defender o problema de fundo», enfatizou, questionando porque não se utilizou os edifícios dos quartéis dos Bombeiros da Mealhada e da Pampilhosa ou o parque de estacionamento do Mercado ou das Piscinas.
«As soluções chegam após duas semanas de atendimento deficitário, com contentores expostos ao frio e à chuva. A Câmara falhou na preparação, comunicação e execução», referiu também Paulo Silva, eleito pelo PSD, assegurando que «a dignidade dos utentes tem que vir antes dos prazos do PRR».
Nas explicações, o presidente da Câmara, reforçou, o que aliás tem vindo a dizer na última semana, nomeadamente que «todas as decisões foram tomadas entre os técnicos municipais, os agentes da área da saúde e o próprio empreiteiro». «Na Pampilhosa, uma parte funciona no Mercado, outra na Vacariça e outra no Luso, sendo que, todos os utentes com limitações e doenças crónicas, são atendidos na Pampilhosa», disse, reforçando que, no caso da Mealhada, a obra só está a acontecer «porque entregamos todo o edifício do Centro de Saúde ao empreiteiro. Em obra faseada, o concurso ficou deserto e não havia garantia de que o prazo de julho, para o término da mesma, fosse cumprido». Para além disso, garantiu, «o local escolhido, também em cooperação com os profissionais da saúde, teve em conta a proximidade ao Centro de Saúde e os contentores foram instalados por ali haver rede de saneamento e ligação energética». «Há duas semanas contratualizamos uma cobertura em metal, mas não a conseguimos ter quando os contentores começaram a funcionar», disse, recordando que também as consultas da Mealhada foram descentralizadas para Barcouço, Espaço Inovação e ainda no edifício do Município.
Na assembleia, Carlos Pimenta, do Movimento Independente Mais e Melhor, referiu que «a auscultação foi tão exaustiva, ao ponto de os utentes crónicos / agudos serem consultados na Pampilhosa», declarou, questionando: «Alguém, nesta sala, ficou sem consulta médica?». «Isso sim, é o mais importante», refutou.
António Jorge Franco disse ainda que «os problemas estão a ser minimizados. Ainda hoje arriscamos tomar decisões, para que a obra não se atrase, uma vez que descobrimos que os tubos de ar condicionado não cabem nas condutas. É uma luta diária».
Na reunião do executivo, um dia antes da assembleia, Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia, referiu que «é na Câmara que se procuram as soluções e se tratam estes problemas», recordando que «uma assembleia custa uns largos milhares de euros ao erário público».
Mónica Sofia Lopes
























