Os eleitos para a Assembleia e Câmara Municipal de Cantanhede tomaram posse, na tarde de sexta-feira, dia 13 de outubro. O «Bairrada Informação» transcreve os discursos de Helena Teodósio e João Moura, presidentes da Câmara e Assembleia Municipais de Cantanhede, respetivamente.

 

Discurso Helena Teodósio

Saúdo todos os presentes, cumprimentando de modo particular aqueles que nesta cerimónia terminam seus mandatos e também aos novos eleitos que a partir de hoje ficam legitimados para representar os órgãos autárquicos do Município.

Independente das convicções individuais e do posicionamento político de cada um, acredito que todos estamos verdadeiramente empenhados em defender os interesses do concelho de Cantanhede, ainda que com diferentes perspetivas sobre a melhor forma de o fazer.

De resto, essa é a verdadeira essência do debate político, um debate que, no interesse daqueles que representamos, deve ser o mais fecundo possível, desde que pautado pelo respeito mútuo e pela boa-fé nos procedimentos. 

Nos últimos quatro anos foi isso que tivemos nos órgãos autárquicos do Município de Cantanhede, mesmo se em várias circunstâncias tenha havido, como é desejável que haja sempre, discussões intensas sobre algumas matérias.

Vale a pena ter isso presente neste momento em que se abre um novo ciclo, um momento que convoca os autarcas eleitos para uma reflexão sobre as responsabilidades inerentes aos respetivos mandatos.

É um pouco isso o que me proponho fazer aqui hoje, começando por dizer que me sinto extremamente honrada e sensibilizada, não apenas pela confiança que me foi depositada no passado dia 1 de outubro, mas também pela oportunidade que me é dada para poder continuar a servir o meu concelho, a minha terra, e todos quantos nela vivem e trabalham.

Mas antes de qualquer consideração a esse propósito, penso ser oportuno dizer que um ato solene desta natureza tem um alcance institucional que remete obrigatoriamente para todos os fatores que neste contexto adquirem dimensão simbólica, desde logo o património material e imaterial construído por sucessivas gerações de autarcas.

A todos eles deixo a minha homenagem, aos presidentes de Câmara e vereadores, aos presidentes de junta e membros das Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia, uma homenagem que tem subjacente um imenso respeito pelo seu legado.

Face à impossibilidade de mencionar todos, permitam-me que refira o meu familiar Mário de Vasconcelos, que foi presidente da Câmara no final dos anos 20, e os que exerceram o cargo desde o ano em que nasci, designadamente Lino Augusto Pinto Cardoso de Oliveira, João Adelino Silva Pereira, Joaquim Pires Santos, Manuel Santos Silva, Emílio Lopes Matos, Albano Pais de Sousa, Júlio Carvalho Simões, Diamantino Miguéis, Rui Crisóstomo, Jorge Catarino e João Moura.

Tenho a certeza de que todos, cada um à sua maneira e em função das circunstâncias particulares que enfrentaram, fizeram tudo para dignificar a presidência do município.

Aqui chegada, é meu dever fazer uma referência especial a Jorge Catarino e João Moura, com os quais tive o privilégio de trabalhar e que, como calculam, estão associados ao meu percurso enquanto autarca.

Devo-lhes um testemunho de reconhecimento pelo apoio, pelo estímulo, pela confiança que sempre senti da sua parte no exercício das minhas funções.

E certamente ninguém me levará a mal se destacar João Moura que hoje cessa funções depois de 4 anos como vereador e 12 enquanto Presidente de Câmara.

Ao longo destes anos, trabalhámos sempre num ambiente de sã camaradagem e espírito de equipa, um ambiente positivo, estimulante e motivador para a prossecução dos objetivos inerentes às competências da autarquia. As palavras são curtas para qualificar o Homem, o profissional, o amigo… Por isso o meu juramento de hoje vai também para ele, prometendo que tudo farei para não defraudar a enorme confiança que depositou em mim e que contribuiu para alicerçar de forma sólida o meu desempenho.

Recordo também os colegas com quem partilhei a experiência autárquica no executivo camarário: João Sá, Maia Gomes, Maria do Céu Lourenço, Carlos Navega, Pedro Cardoso, Rui Crisóstomo, António Pinheiro, Paula Gil, João Dias, Pedro Castro, Manuel Ruivo, Icília Moço, Luís Silva, Carlos Ordens, Júlio Oliveira, Célia Simões, Francisco Neves, Sónia Barbosa, Pedro Carrana, Cristina de Jesus, Madalena Cardetas.

Creio poder dizer que mantenho com todos uma relação de respeito mútuo, respeito alicerçado na partilha de objetivos comuns quanto ao desenvolvimento do concelho, sejam da minha área partidária ou daqueles que politicamente se posicionam de modo diferente em relação a esse processo.

 

Agora que é para o futuro que olhamos, tenho a obrigação de reconhecer que o capital de confiança com que parto para o desafio que hoje abraço é também fruto dos resultados da atividade da Câmara Municipal em diferentes domínios.

Como já tive oportunidade de dizer em outras ocasiões, sinto-me um pouco como a fiel depositária de um legado que ajudei a construir e que, também por isso, me confronta com responsabilidades acrescidas.

 

O que posso dizer é que estou determinada a dignificar esse valioso legado e a instituição que o representa, promovendo a otimização dos benefícios que lhe estão associados.

É por aí que vou, orientada pelo dever de lealdade que hoje jurei perante vós:

-lealdade para com os munícipes, instituições e os movimentos associativos, lealdade para com os agentes económicos, executivos camarários de que fiz parte e para com a equipa que agora me acompanha;

-lealdade para com a Assembleia Municipal, juntas e assembleias de freguesia;

-lealdade para com todos os funcionários da autarquia, a quem manifesto desde já o meu agradecimento, pelo empenho e dedicação que colocam no dia a dia, pela motivação de melhorar sempre, pelo interesse com que aderem à modernização dos procedimentos, sempre motivados em reforçar a identidade e o prestígio desta instituição que tanto nos orgulha.

Liderar uma equipa como esta é saber que vamos a jogo para ganhar.

 

Não esqueço, nunca poderia esquecer, todos quantos trabalharam na instituição e entretanto passaram à situação de aposentados. Para eles deixo também o meu apreço pelo modo como dignificaram o Município.

 

E porque vem a propósito quero deixar aqui bem expresso um testemunho de reconhecimento ao engenheiro António Patrocínio Alves, que por sua decisão vai abandonar a presidência do Conselho de Administração da INOVA, ficando a aguardar a passagem à reforma.

Sei muito bem o quanto o município lhe deve pelo modo absolutamente exemplar como conduziu a constituição e afirmação da INOVA como empresa de referência a nível nacional. Muito obrigada engenheiro Alves.

 

Na minha candidatura ao cargo, falei bastante de compromisso como conceito basilar da atividade autárquica e é esse compromisso que quero reiterar aqui hoje, assegurando que saberei honrar o passado na construção de um futuro mais promissor para os munícipes de todas as gerações.

De resto, esse é um compromisso inscrito na agenda política que eu e a minha equipa propomos os próximos anos, no quadro de um planeamento estratégico que visa a maximização dos benefícios económicos, sociais e culturais, segundo uma lógica de sustentabilidade.

Há mais de 2000 anos, por terras do Império romano, o grande orador e advogado de sucesso, Cícero dizia que : “Se  ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará”.

Percebe-se o conceito de harmonia entre o bem estar, a cultura o ambiente a qualidade de vida!  E é esse conceito de melhoria contínua do nível de vida dos [nossos] municipes que procurámos inscrever no nosso programa.

Uma das ideias chave  que iremos implementar passa por levar ainda mais longe a execução e modernização das infraestruturas e equipamentos coletivos, melhorando continuamente os fatores que concorrem para a valorização da base económica e do tecido social.

Do que se trata é de construir de acordo com um rigoroso planeamento, em função das prioridades identificadas e com uma perspetiva de integração e articulação de valências.

Nesse sentido, os planos de ação setoriais serão definidos com base num diálogo franco e construtivo com as forças vivas do concelho. Neste âmbito, vamos manter uma forte cooperação com as Juntas de Freguesia, com todas sem exceção, de modo a reforçar a coesão territorial, otimizando os recursos e rentabilizando os investimentos. 

Outro conceito orientador é qualificar, aqui entendido como propósito de levar mais longe um processo onde o Município de Cantanhede tem marcado muitos pontos.

Qualificar, em primeiro lugar as pessoas, através das respostas na educação, dando sequência aos significativos investimentos realizados na valorização das condições pedagógicas dos diferentes graus de ensino.

Qualificar as respostas culturais e desportivas, o património e outros recursos em que assenta a identidade do concelho.

Qualificar ainda e sempre as respostas sociais, prosseguindo com o apoio à criação e modernização de equipamentos coletivos nesta área, colaborando com as IPSS na valorização da sua atividade e desenvolvendo políticas ativas para diluição dos fatores de exclusão social.

É neste contexto que cooperar se afigura como um mecanismo indispensável à concretização dos objetivos que nos propomos alcançar em todas as áreas de incidência da atividade camarária.

Cooperar, tirando partido das proveitosas parcerias que a Câmara Municipal tem mantido com as entidades que integram a rede social do concelho, aprofundando os mecanismos de suporte à ação que tem sido desenvolvida nesse âmbito.

Cooperar com os agentes culturais e desportivos estimulando a sua capacidade para promoverem os bens e os valores universais da cultura e apoiando toda a atividade associativa como fator de coesão das comunidades.

Cooperar com os agentes económicos, da agricultura ao comércio, serviços e indústria, para reforçar as condições favoráveis ao aumento da rentabilidade das empresas e à atratividade do investimento, alargando o leque de oportunidades de emprego.

Cooperar, ainda a nível nacional e sobretudo regional com outros Municípios e entidades. Queremos uma Região Centro mais fortalecida, mais competitiva, e confiamos que o Município de Cantanhede reforçará o seu papel a esse nível, potenciando os valores, o património e a atividade económica como uma marca de referência que tem de se impor nacional e internacionalmente.

É nesse sentido que desenvolver surge numa dimensão abrangente como meio para promover a crescente integração económica e social dos cidadãos, facultando-lhes condições para melhorarem as suas condições de vida e para se realizarem do ponto de vista pessoal, familiar e profissional.

Não ignoro que a ambição que nos anima a todos nesta caminhada que hoje iniciamos pressupõe a assunção de valores e princípios fundamentais de sustentabilidade e vai continuar a exigir muito rigor na gestão financeira da autarquia, mas estou certa de que iremos continuar a demonstrar grande capacidade de tirar partido das oportunidades que forem surgindo.

Como sabeis, nos últimos anos o Município de Cantanhede evidenciou essa capacidade, traduzida no grande número de candidaturas aprovadas no âmbito de vários programas comunitários, muitas delas ainda em curso ou prestes a serem iniciadas.

Iremos seguramente continuar a beneficiar desses e doutros apoios para os projetos estruturantes que pretendemos concretizar em vários domínios.

 

O programa que preconizamos para os próximos quatro anos está sintonizado com o designado terceiro ciclo de desenvolvimento do poder local.

Neste quadro, iremos acentuar a mobilização das forças vivas do concelho para a realização de iniciativas que tendem a acentuar dinâmicas coletivas compensadoras para os cidadãos, estimulando a perceção das vantagens do conhecimento, do empreendedorismo, da proteção do ambiente e do desenvolvimento económico sustentável.

Por outro lado, para além da assunção plena das competências do Município em matéria de Educação, Saúde e Cultura, apostaremos na prestação de serviços públicos de elevada qualidade.

Neste âmbito, iremos dedicar particular atenção à organização dos serviços, criando condições favoráveis ao reforço das boas práticas e à realização profissional dos funcionários, dignificando o seu estatuto e alargando tanto quanto possível as oportunidades de formação e de progressão de carreira, gerando simultaneamente dinâmicas de inovação que traduzam vantagens efetivas para os munícipes. 

Noutra vertente, desenvolveremos uma prática política assente nos fundamentos do princípio da subsidiariedade, traduzido na tomada de decisões o mais perto possível dos cidadãos, e que contemplará uma aposta efetiva nos mecanismos de democracia participativa como garante da centralidade e vitalidade da sociedade civil.

A nossa ambição é muito grande, mas não é maior que o nosso pragmatismo e a nossa determinação em consolidar o relevante estatuto que Cantanhede hoje detém como Município empreendedor e dinâmico.

Sei que conto com o apoio de uma grande equipa, uma equipa competente, criativa, com espírito de iniciativa e capacidade de trabalho para superar os obstáculos com que certamente nos iremos deparar.

Sei também que posso contar sempre com a extraordinária dedicação, competência e sentido de responsabilidade dos funcionários do Grupo autárquico constituído pela Câmara Municipal, INOVA-EM, Biocant Park e ABAP.

E sei ainda que posso contar com a lealdade institucional de todos quantos fazem parte dos órgãos autárquicos, na Câmara Municipal, na Assembleia Municipal, nas Juntas e Assembleias de Freguesia.

Estou certa de que, todos juntos, vamos promover um novo ciclo de desenvolvimento com benefícios para todos os sectores da população, vamos continuar a fazer do Concelho de Cantanhede uma terra com mais oportunidades, uma terra com melhor futuro.

Está nas nossas mãos esse futuro…

 

Como dizia Adriano Correia de Oliveira, “com as mãos se rasga o mar, com as mãos se lavra… As mãos estão no fruto e na palavra…

De mãos é cada flor, cada cidade…

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas minhas mãos, nas nossas mãos começa a liberdade!

 

Muito obrigada!

 

Discurso João Moura

Hoje é dia de celebração da Democracia. As eleições do passado dia 1 de Outubro decorreram com elevação o que representa um ato de grande maturidade política.

Cumprimento os presentes, se me permitem com uma saudação particular a todos os autarcas eleitos, a quem felicito pela tomada de posse das respetivas funções.

Não tenho dúvidas de que saberão dignificar os órgãos que representam na defesa daquilo que consideram ser o melhor para o concelho de Cantanhede e do que preconizam para a atividade das instituições autárquicas.

 

Nos últimos anos, o Município de Cantanhede teve uma intervenção forte nos diversos domínios da sua atividade e mobilizou os munícipes, as empresas e as organizações a participarem ativamente numa estratégia de desenvolvimento com metas particularmente ambiciosas.

Ambiciosas, mas realistas e exequíveis, como veio a constatar-se pela consistência e alcance dessa estratégia concebida para tirar partido da localização geográfica privilegiada do concelho e reforçar as suas vantagens comparativas na região.

Um dos aspetos que vale a pena destacar tem a ver com a assinalável capacidade que o Município de Cantanhede demonstrou em tirar partido dos apoios comunitários, através de projetos muito bem fundamentados do ponto de vista técnico e financeiro, conforme se depreende do considerável número de candidaturas aprovadas no âmbito dos quadros comunitários de apoio.

Dos dossiês estruturantes assume particular relevo o investimento na qualificação da rede educativa, com destaque para a edificação dos novos centros escolares de Cantanhede, Ançã e Cadima, a reabilitação de outros estabelecimentos de ensino, como a EB 1 Cantanhede Sul, a decorrer nesta altura, ou a EB 2.3 Marquês de Marialva, também já contratualizada, sem esquecer o processo que permitiu a transferência da Escola Técnico Profissional para instalações de qualidade.

Destaco ainda a presença do ensino superior público em Cantanhede através da Universidade Aberta desde 2010 bem como a pós-graduação ao nível de mestrado e doutoramento conferido pela Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra no âmbito do Biocant Park. Esta oferta ao nível do ensino superior vai ser alargada, como esperamos, a partir do próximo ano lectivo 2018-19 com a instalação em Cantanhede, da Escola Superior de Ensino Europeu em Ciências da Saúde e Experimentais, na dependência da Escola de Osteopatia de Madrid, entidade de renome mundial na sua área e que desenvolve a sua actividade em 19 países.

Além da aposta na modernização das condições para o desenvolvimento do processo educativo, o Município cumpriu sempre exemplarmente com as suas competências em matéria de educação, proporcionando a todos os alunos igualdade de oportunidades no acesso a um ensino de qualidade.

Estruturante foi também sem dúvida o investimento na conclusão da rede de saneamento através da INOVA-Empresa Municipal. Em 2005, a taxa de cobertura do sistema coletor e de tratamento de águas residuais situava-se nos 30%, tendo atingido em 2009 os 52%. Foi em 2014, na sequência de um programa de investimentos que ascendeu a cerca de 20 milhões de euros, que a taxa de cobertura atingiu 97%, estando atualmente a 99%.

Hoje é já consensual o efeito estruturante do Biocant Park para a economia da região e do país, estando nesta altura em curso a consolidação de um núcleo industrial, através do reforço da sua atratividade relativamente a indústrias de elevado valor acrescentado.

Aliás, esse processo já começou há algum tempo com a instalação de empresas industriais, que na decisão do investimento valorizaram a existência de laboratórios e núcleos de investigação que dispõem de serviços e soluções de transferência de tecnologia em biotecnologia e áreas correlacionadas.

O primeiro desses investimentos, superior a 25 milhões de euros, diz respeito a uma empresa industrial que produz um fungicida biológico a partir da transformação do tremoço e cuja produção se destina na totalidade à exportação (EUA).

Muito brevemente entrará também em atividade uma grande unidade industrial do setor agroalimentar que corresponde a um investimento de cerca de 25 milhões de euros. 

Fechado está também o contrato para outro investimento, na ordem dos 80 milhões de euros nos próximos 5 anos, por parte de uma farmacêutica canadiana que tem já contratualizada a venda de toda a sua produção para vários países da Europa.

Ou seja, a base económica do concelho de Cantanhede está a crescer com a instalação de indústrias que operam em setores de elevado valor acrescentado, aumentando exponencialmente o impacto económico e social na região e no país.

Por outro lado, a expansão industrial também passa pelas outras zonas industriais de Murtede, Tocha e Febres, através da dinamização dos fatores de atração de investimento industrial.

 

É assim que, no contexto da Comunidade Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Cantanhede é o Município com um excelente saldo da balança comercial bem acima da generalidade dos outros concelhos, sendo de relevar também a persistência de uma taxa de desemprego significativamente abaixo da média nacional. Destaco aqui a criação por parte do Município do incentivo à empregabilidade à disposição das empresas.

Paralelamente à dinamização da base económica apostámos forte na valorização da rede viária que facilita o acesso aos principais corredores rodoviários nacionais, na requalificação urbana e na criação de zonas de lazer, intervenções que tiveram o seu expoente máximo com a execução do Parque Urbano de S. Mateus na envolvente a este edifício.

Investimos significativamente no património e em equipamentos coletivos, por exemplo na reabilitação dos Paços do Concelho, que foi alvo de obras de fundo, na criação da Casa Carlos de Oliveira, em Febres, ou no Centro Interpretativo de Arte Xávega, na Praia da Tocha, que ao longo destes anos beneficiou ainda de intervenções importantes a diversos níveis.

 

No plano social destaco o IMI Familiar, com redução máxima prevista na lei para os agregados familiares com dependentes a cargo, o subsídio à natalidade ou o tarifário da água amigo das famílias numerosas.

Por outro lado, é de assinalar o alcance do trabalho realizado no âmbito da rede social em parceria com as IPSS’s, de acordo com o que preconiza o Plano de Desenvolvimento Social.

Para além dos programas implementados segundo esta orientação, merece ainda referência a dinamização de iniciativas destinadas a sistematizar o apoio a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social, sem esquecer o apoio às entidades do setor social na construção e valorização de instalações ou na aquisição de equipamentos.

Da política cultural desenvolvida destaco a oferta de uma programação diversificada em diferentes áreas artísticas, o apoio financeiro aos agentes culturais, a valorização do património edificado e a expansão da rede de equipamentos coletivos na área da cultura, sem esquecer a implementação de programas direcionados para o reforço da identidade cultural local.

Noutra vertente, o Município de Cantanhede, a partir do reconhecimento da função social do desporto enquanto fator que concorre para a elevação dos padrões de qualidade de vida dos munícipes, investiu na criação de uma rede de equipamentos desportivos distribuídos de forma equilibrada pelo concelho. Hoje os jovens e menos jovens dispõem de excelentes condições para uma prática desportiva regular, nos campos da formação e competição em várias modalidades, bem como no desporto de manutenção.

Outro aspeto que não posso deixar de referir tem a ver com a qualificação dos serviços, processo que contemplou há 10 anos a certificação do sistema de gestão da qualidade da Câmara Municipal, o qual foi aliás este ano renovado com novas exigências, práticas e procedimentos. 

Ainda relativamente à oferta de serviços qualificados, a centralidade que Cantanhede conquistou na região foi devidamente reconhecida com a instalação da Loja do Cidadão, que serve também as populações de vários concelhos limítrofes, estando agora alguns dos seus serviços disponíveis nos Postos de atendimento ao cidadão em Ançã, Febres e Tocha.

Entretanto, a aptidão da Câmara Municipal em aproveitar bem as verbas da União Europeia prossegue com o novo quadro comunitário de apoio – Portugal 2020 –, cujos objetivos temáticos, eixos prioritários e prioridades de investimento são consonantes com o modelo de desenvolvimento que tem vindo a ser implementado pelo Município de Cantanhede.

Efetivamente, para além das candidaturas formalmente já aprovadas para execução de mais uma série de obras estruturantes – só as previstas no âmbito do PEDU ascendem a seis milhões de euros – estão a ser elaborados projetos para explorar oportunidades de financiamento de programas orientados para o reforço da coesão social, setor em que a autarquia tem vindo a apostar de modo consequente, quer com a dinamização da base económica e da atração de empresas, quer com medidas como o incentivo à natalidade e o apoio à empregabilidade, sem esquecer as políticas sociais em benefício das famílias, particularmente as mais fragilizadas do ponto de vista socioeconómico.

Devo sublinhar ainda a circunstância de que a atividade camarária foi desenvolvida no quadro de um modelo de gestão que permitiu manter o equilíbrio económico-financeiro da autarquia numa base sustentável, conforme se depreende da excelente posição que tem vindo a ocupar desde há vários anos no Anuário do Municípios Portugueses em parâmetros tão importantes como a eficiência financeira, resultados económicos e a poupança, entre outros.

São estes e outros indicadores que nos dão razões para confiarmos num futuro ainda mais esperançoso para o concelho de Cantanhede, seja na afirmação da sua identidade competitiva, seja na valorização das condições em que se desenvolvem as dinâmicas socioeconómicas e culturais, através da cooperação entre as forças vivas que dão vitalidade ao território.

 

Tive o privilégio de liderar o projeto que está na base destas e de outras obras e realizações, mas é evidente que tudo o que referi antes é fruto de um trabalho de equipa, da grande equipa que me acompanhou ao longo dos últimos anos, incluindo naturalmente os funcionários do Município, os funcionários da Câmara Municipal e da INOVA que, com extraordinária dedicação, profissionalismo e sentido de responsabilidade nunca regatearam esforços na concretização dos grandes objetivos traçados pelo executivo camarário.

Não esqueço também os autarcas que serviram o desígnio de progresso do Concelho de Cantanhede, muito particularmente aqueles com quem tive a honra de trabalhar, no quadro de uma relação de forte parceria e grande lealdade institucional.

Sei bem o quanto defenderam os superiores interesses do concelho, seja no executivo camarário, seja na Assembleia Municipal, seja nas Juntas e Assembleias de Freguesia.

 

Pela minha parte, encerro aqui um ciclo da minha vida, seguramente o ciclo que mais me marcou e entusiasmou, e do qual, confesso, já tenho saudades. Saudades das pessoas. Foram 12 anos em que investi o melhor de mim mesmo na condução de um processo de desenvolvimento que sempre acreditei ser o mais adequado para a consolidação do processo de desenvolvimento do concelho.

Posso assegurar que, desde que assumi pela primeira vez o grande desafio de liderar a Câmara Municipal, nunca me arrependi da opção que tomei em abraçar o desafio autárquico e contribuir para o progresso e o bem-estar social na minha terra.

Quando analiso o que se passou nestes anos, sinto que valeu a pena ter-me dedicado de corpo e alma ao projeto que tive o privilégio de liderar durante mais de uma década.

É certo que nunca vou saber o que perdi por ter interrompido uma carreira de docente universitário que me preenchia profissionalmente e em que me sentia completamente realizado a todos os níveis, mas ainda hoje, ao completar-se aquela que considero a mais gratificante etapa da minha vida, tenho a perceção clara de que fiz a opção certa, de que efetivamente não perdi nada que se possa comparar a tudo o que de bom retirei da minha experiência como Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede.22494887_10210069453001941_587574087_o

Quanto ao meu desempenho, o tempo se encarregará de o avaliar na justa medida, mas o que posso dizer é que atuei sempre na convicção de que estava a proceder com lisura, com sentido de responsabilidade, com rigor e transparência, com o maior respeito para com o Município e para quem nele trabalha, com lealdade institucional para com todos os parceiros e outras entidades, sejam elas instituições, movimentos associativos ou empresas.

Não tenho a veleidade de pensar que fiz tudo bem. Olhando para trás, consigo identificar uma ou outra situação que, avaliada à luz do que conhecemos hoje, talvez justificasse uma atuação diferente.

De qualquer modo, o mais importante é que os objetivos enunciados para cada etapa foram cumpridos com um elevado índice de assertividade das medidas e das políticas, mesmo nos períodos em que emergiram os graves constrangimentos da conjuntura extremamente desfavorável que se viveu no país e na Europa.

Sendo certo que houve de facto fases bastante difíceis, a verdade é que em nenhum momento nos deixámos dominar pelas circunstâncias.

Com muita perseverança e espírito de iniciativa, encontrámos sempre soluções para contornar os problemas, avançando com o projeto que nos propusemos executar, e, mais importante ainda, sem comprometer o equilíbrio financeiro da autarquia.

 

A terminar, quero enaltecer, mais uma vez, todos quantos, nas eleições de 1 de outubro, se dispuseram a participar mais uma vez na ação política, seguramente motivados por um ideal de progresso para o nosso concelho.

Da parte dos que foram eleitos, tenho a certeza de que podemos esperar uma forte dedicação a esse ideal que continua bem viva, por muitas e boas razões, uma das quais está diretamente relacionada com as reconhecidas qualidades da próxima presidente da Câmara.

A Helena Teodósio foi o meu braço direito ao longo de 12 anos e sei bem que a sua competência, sentido de responsabilidade, experiência, dedicação ao trabalho, facilidade de relacionamento, capacidade de liderança e aptidão para motivar pessoas e estimular equipas são a melhor garantia de que a Câmara Municipal irá dar passos importantes na consolidação do seu processo de desenvolvimento.

 

Muito obrigado