A 4.ª edição do FLIM – Festival Literário da Mealhada arrancou, esta segunda-feira, com uma sessão inaugural centrada no poder transformador da leitura, reunindo, no auditório José Lopes Reis de Melo da Biblioteca Municipal da Mealhada, comunidade escolar, agentes culturais e público em geral num momento de reflexão e partilha em torno da cidadania e da participação.

Subordinada ao tema “Ler para (se) transformar: o poder de ler para participar”, a sessão de abertura, que decorreu com sala cheia, marcou o início de seis dias de programação (até 28 de março) dedicada às palavras, à cidadania ativa e aos valores da democracia, reforçando o compromisso do Município da Mealhada com a cultura, a leitura e a participação cívica.

Na sessão inaugural, a vice-presidente da Câmara da Mealhada, com o pelouro da Cultura, Filomena Pinheiro, destacou o papel estruturante da Biblioteca Municipal, sublinhando o trabalho consistente desenvolvido, ao longo dos anos, pelos seus técnicos. “A biblioteca deixou de ser um repositório de livros para ser um lugar de encontro da comunidade”, afirmou. A autarca evidenciou ainda o contributo destes profissionais que têm vindo a tornar este espaço “mais justo, inclusivo, interativo e ativo”, fortalecendo a sua presença no quotidiano das famílias. Neste contexto, referiu que o FLIM tem vindo a reforçar e acrescentar valor a essa “dinâmica”, consolidando a biblioteca como um espaço central na vida da comunidade. No mesmo sentido, salientou a importância da leitura para a construção da personalidade, lembrando que “ler com tempo é fundamental para termos uma participação cívica mais consciente”.

A reflexão contou ainda com a participação de Helena Duque, coordenadora interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares, cuja ação faz a ponte entre as escolas, as bibliotecas e as comunidades de leitores, que destacou o papel da leitura como base do pensamento crítico e da cidadania ativa. “Ler é a base. A leitura e a interpretação permitem-nos posicionar criticamente e participar no dia a dia”, referiu, defendendo que “a participação conduz sempre a uma transformação”.

Daniela Oliveira, professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas da Mealhada, responsável pela implementação do projeto LIDERA – Ler Informação Diária para Escolher, Refletir e Agir, apresentou este e outros projetos, como o “Miúdos a Votos”, sublinhando a importância da literacia mediática num contexto marcado pelo excesso de informação. Alertando para o impacto prejudicial das redes sociais, destacou que “há necessidade de trabalhar a literacia mediática” e que “ler criticamente não é apenas desejável. É imperioso”.

Já João Manuel Ribeiro, autor da obra “O Silêncio do Buçaco”, distinguida com a segunda edição do Prémio Literário António Augusto da Costa Simões – posteriormente apresentada na mesma sessão – defendeu que a leitura é um processo essencial, mas gradual no que se refere à transformação. “Ninguém se transforma de um momento para o outro. Transformar leva tempo”, salientou, reforçando a importância de cultivar hábitos de leitura consistentes para uma verdadeira mudança pessoal e social. Coube a Isabel Lemos, membro do júri da edição de 2025 do referido prémio literário, o papel determinante de aguçar a curiosidade do público e despertar o interesse pela leitura da obra, evidenciando a sua qualidade literária e a forte ligação ao território.

O dia culminou com o jantar literário “Mesa de Palavras Livres”, realizado no restaurante “A Prova dos Novos”, na Pampilhosa, que proporcionou um espaço intimista de convívio em torno da literatura.

 

Fotografia com Direitos Reservados