Centenas de pessoas, oriundas de vários pontos do país, passaram, ontem, pelo Curia Palace Hotel, no concelho de Anadia, aquando da quarta edição do Millèsime – Encontro Nacional de Espumantes, iniciativa promovida pela Câmara Municipal que reúne produtores, especialistas e apreciadores de vinho a nível nacional. Uma das novidades este ano foi um Concurso de Espumantes em que o Troféu Millèsime foi para um espumante de Távora Varosa. Este domingo, o evento repete-se, a partir das 15h00.

O evento conta com 46 produtores nacionais, dos quais 34 são da região da Bairrada, que têm a oportunidade de apresentar e dar a provar os seus vinhos ao público. «São 46 porque na verdade não temos espaço para mais. Temos, aliás, lista de espera porque a procura foi, mais uma vez, superior aos espaços que temos», referiu Jorge Sampaio, presidente do Município de Anadia, congratulando a vinda «de um produtor da Madeira, o primeiro a fazer espumante na ilha».

Com o preço de entrada a subir de dez para quinze euros, este ano, o autarca defende que o valor «foi adaptado à qualidade que apresentamos». Para além disso, avança, que se tem que «começar a pensar em limitar o número de visitantes em cada dia», enaltecendo, contudo, o facto «de o espaço estar repleto de pessoas, maioritariamente com pessoas de fora de Anadia, em cerca de 80 %».

A produzir vinho desde 2008, há uma década que Sofia Caldeira, da marca Terras do Avô, do Seixal, na Madeira, produz espumante, o primeiro a ser produzido na ilha. «Já conhecemos o presidente da Câmara de Anadia há alguns anos e surgiu esta oportunidade de virmos divulgar o nosso produto e mostrar que na Madeira também há vinho bom», referiu, ao nosso jornal, Sofia Caldeira, explicando que «a produção ainda é pequena» e que, por isso, «no continente só fazemos distribuição na zona de Lisboa».

Já sobre as dificuldades do setor, Paulo Sousa, dos Vinhos Sidónio de Sousa, de Sangalhos, referiu que o grande problema atualmente «é a instabilidade dos mercados para os Estados Unidos e Europa, que perante pandemias e guerras se retraem no consumo e não importam». «Só para os Estados Unidos a nossa diminuição ronda de 20 a 30%», garante, explicando que «ainda não se está a fazer sentir muito os efeitos do aumento do preço dos adubos e dos combustíveis».

Presente no evento esteve o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que parabenizou «a Câmara de Anadia, por fazer um trabalho além das suas competências, valorizando o seu município e não só». O representante do Governo enfatizou o facto «de 50% da produção de espumante do país ser na Bairrada», enaltecendo os benefícios do cultivo da vinha «até no travão contra os incêndios, que tanto preocupa». «O vinho é um modo de vida, mas também é investigação e inovação. A prova disso é a qualidade dos nossos espumantes», continuou, acrescentando que o setor vitivinícola «é muito importante para a competitividade de Portugal, ajudando na gastronomia e no turismo».

José Manuel Fernandes disse ainda que «há produtores que aumentaram a exportação» e que é preciso olhar para outros países, como por exemplo o Brasil ou o Uruguai, onde estão milhões de pessoas e onde temos uma grande oportunidade de meter os nossos vinhos, pela qualidade e pela facilidade na comunicação». «No ano passado, no programa de apoio à promoção tínhamos 22 milhões de euros disponíveis e só foram utilizados 12 milhões», lamentou ainda.

No concurso de espumantes, em que estiveram a prova sessenta, foram arrecadadas doze medalhas de Ouro e seis medalhas Grande Ouro, sendo que destas, o Murganheira Millèsime 2016 – DOC Távora Varosa conquistou também o Troféu Millèsime.

 

Mónica Sofia Lopes