O primeiro corso do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, na cidade da Mealhada, foi cancelado meia hora antes de começar. A probabilidade de haver períodos de chuva durante o desfile – o que se verificou cerca das 17h00 – pesaram na decisão das quatro escolas de samba e da Associação do Carnaval da Bairrada, que não quiserem correr o risco que a chuva estragasse o trabalho de meses e invalidasse a participação nos desfiles desta noite e de amanhã à tarde. Descontentes ficaram muitas das pessoas, principalmente as que vieram de longe, para ver o espetáculo sob o reinado do artista João Baião.
Previsto para sair às 15h00, tudo estava preparado para o corso arrancar e as escolas de samba Amigos da Tijuca, Batuque, Real Imperatriz e Sócios da Mangueira desfilarem os seus enredos e mostrarem o trabalho feito nos últimos meses. «De manhã fomos alertados pelas autoridades de que havia grande probabilidade de haver aguaceiros durante a tarde. Nós íamos vendo em outros sítios e o próprio IPMA dava ontem como não chovendo e até estando sol e queríamos mesmo muito sair», começou por dizer, ao nosso jornal, Márcio Freixo, presidente da direção da ACB, depois de uma reunião com as escolas de samba que culminou nesta decisão.
«Nós queremos muito fazer a festa na avenida, que as escolas desfilem e que os visitantes e os mealhadenses vejam um bom desfile. Ficámos muito apreensivos com a probabilidade de chuva, correndo o risco de ter três escolas em simultâneo na avenida à hora da previsão de chuva, cerca das 16h00. Toda a escola ficaria arrasada e o material, nomeadamente penas naturais, se estragariam e não teríamos mais desfiles de Carnaval este ano», justificou o dirigente, acrescentando que «também não seria positivo as pessoas estarem em pleno desfile e a chuva começasse a cair». «A afluência para os locais de saída, se isso acontecesse, poderia gerar o pânico», acrescentou.
Com o desfile da avenida cancelado, as escolas de samba fizeram na mesma uma apresentação na Tenda do Carnaval, que contou com João Baião durante toda a tarde. Apesar da tomada de posição, os elementos das agremiações de samba da Mealhada eram o espelho de desalento. «As previsões eram de períodos muito intermitentes de chuva, o que nos levou a tomar esta decisão. Apesar disso, estamos muito tristes porque estávamos prontos para sair», declarou Patrícia Pinto, dos Amigos da Tijuca. Palavras corroboradas por Pedro Castela, dos Sócios da Mangueira, que garantiu que «todos queríamos desfilar». «Estivemos reunidos com a Proteção Civil e havia esta forte probabilidade. Há muito dinheiro investido em material que podia hoje ficar todo estragado e meter em causa os outros dois desfiles», enfatizou. Carlos João, do Batuque, a única escola que votou contra o cancelamento, explicou que «queriam muito sair e por isso o nosso sentido de voto, mas a verdade é que já choveu e agora estamos todos aqui a tapar as alegorias para não se estragarem».
De Chaves, falámos com Mário dos Santos, que veio ao Carnaval da Mealhada, pela primeira vez, inserido numa excursão. «Costumamos ir ao Carnaval na nossa zona e, no ano passado, fomos a Estarreja. Hoje viemos à Mealhada, não houve desfile, mas almoçamos leitão», disse-nos. De mais longe estava uma excursão oriunda de França. «De manhã visitamos Coimbra e à tarde este era o primeiro desfile de um roteiro de Carnavais que organizamos para este grupo de 40 pessoas», disse Artur Fernandes, guia intérprete desta visita, que lamentou «o cancelamento ter acontecido quando já estávamos no recinto, um Carnaval para o qual direcionamos muitos passeios».
Ontem o desfile tinha também prevista a avaliação dos jurados para o Concurso de Escolas de Samba, que assim se alterou para o desfile desta noite, a partir das 21h00.
Mónica Sofia Lopes





















