Depois de um ano sem se realizar, devido ao impasse na Associação do Carnaval da Bairrada no final de 2024, o Concurso de Escolas de Samba do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada regressa em 2026, depois de uma reformulação feita pela a ACB e as quatro escolas de samba que desfilam no Carnaval da Mealhada – Amigos da Tijuca, Batuque, Real Imperatriz e Sócios da Mangueira -, tornando-o, e segundo as mesmas, «mais claro e objetivo» e ainda conta com júris externos, pela primeira vez.
São nove os quesitos em avaliação no desfile diurno de domingo, dia 15 de fevereiro: bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias, fantasias e adereços, comissão de frente e mestre sala e porta bandeira. Cada jurado tem um manual de formação por quesito e um mapa de notas, que lhe é entregue antes do corso e que tem que ser devolvido a elementos da comissão técnica do concurso no final do mesmo.
Os quesitos, recorde-se, iniciam todos com nota máxima, dez, sendo alterada com penalizações devidamente justificadas, orientações que os quinze jurados conhecem atempadamente e que estão explanados também no mapa de notas a preencher, onde se encontram orientações gerais e exclusões às penalizações para cada quesito.
Os cadernos abre-alas, entregues até ao passado dia 8 por cada escola, têm que ter, entre outros elementos, a sinopse do enredo, a letra do samba-enredo e o roteiro do desfile.
«Até agora, os jurados eram elementos escolhidos pela a ACB e pelas quatro escolas de samba. Este ano, teremos jurados externos, pessoas ligadas às artes, que nem sequer são da Mealhada», começou por dizer Márcio Freixo, presidente da direção da ACB, desvendando que haverão pessoas «com experiência de Carnaval e de samba em outras festas e até especialistas, nomeadamente, pessoas que trabalharam com Filipe Lá Féria numa homenagem a Carmen Miranda».
Sobre o regulamento, que será publicado brevemente pela a ACB, Márcio Freixo defende que «o documento não era mexido há muitos anos. O que se tentou foi torná-lo mais específico e mais objetivo e foi tudo muito consensual entre as cinco entidades».
As escolas aplaudem os reajustes feitos e congratulam o facto de ter sido um trabalho conjunto. «Estamos a falar de um júri independente e é a primeira vez que isto acontece. Serão pessoas de fora, isentas e credíveis. Estou confiante que vai tudo correr bem», congratulou Carlos João, presidente da direção do Batuque, acrescentando que o concurso «é um assunto sensível» e que «é de louvar as escolas estarem unidas neste propósito».
Para Pedro Castela, presidente da direção dos Sócios da Mangueira, um júri externo trará «justiça, clareza e dificuldade em haver enviesamentos». «Os ajustes tornam o regulamento mais justo», enfatizou o dirigente da escola, que conta com dez títulos de campeão neste concurso.
Também Patrícia Pinto, presidente da direção dos Amigos da Tijuca, fala «numa reformulação necessária, que vai ser testada». Por outro lado, enfatiza o facto «de os jurados terem um guia que ajuda muito esta avaliação».
A Gala de Divulgação dos Resultados do Concurso acontecerá a 21 de fevereiro, pelas 22h00, na Tenda Gigante, no centro da cidade da Mealhada, «numa noite que se espera de festa», depois do desfile do Carnaval de Palmo e Meio, que se realiza na tarde desse sábado.
Mónica Sofia Lopes





















