O protocolo, com mais de uma mão cheia de anos, estabelecido entre o Município de Anadia, as Juntas de Freguesia de Avelãs de Cima, Moita e Vila Nova de Monsarros, e a Associação de Apoio Florestal e Ambiental de Avelãs de Cima, a Associação de Voluntários de Ferreiros e a Associação Cultural e Recreativa de Algeriz, para vigilância móvel, nas manchas florestais localizadas na zona a nascente do concelho, nos próximos meses, foi, ao início da tarde de ontem, assinado. A iniciativa, custeada pela Autarquia de Anadia, contou com a presença de Rui Ladeira, secretário de Estado das Florestas, que não se coibiu de elogios ao projeto, garantindo voltar ao concelho anadiense «trazendo “outros” para verem este exemplo que tem que ser replicado por todo o país».

A visita começou na Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, prosseguiu para as Termas de Vale da Mó e só parou na Associação Cultural e Recreativa de Algeriz. «O senhor secretário de Estado saiu da balbúrdia da cidade, para percorrer uns quilómetros pela floresta, propositadamente, porque enquanto ex-autarca sabe a importância que tem os membros do Governo virem ao terreno e conhecerem a realidade de cada Município», começou por dizer Maria Teresa Cardoso, destacando o programa de vigilância, que iniciou ontem, e que conta com as contribuições dos Bombeiros e da GNR. «As associações envolvidas neste protocolo não substituem as entidades oficiais, mas trabalham em complementaridade», acrescentou a autarca.

O protocolo, com duração de julho a setembro, terá possibilidade de se estender, caso as condições meteorológicas assim o «obriguem», até porque, segundo a edil, está em causa «a segurança das populações». «É um esforço grande que todos fazemos desde 2017, com estas associações no terreno das 8h00 à meia noite, em que às vezes encontram outras situações que podem provocar incêndios e dão o devido alerta, fazendo-nos escapar a situações mais graves», acrescentou a presidente da Câmara de Anadia, admitindo que «o programa se devia replicar por outras freguesias», mas que o orçamento para tal «é limitado».

A autarca diagnosticou ainda alguns dos problemas, com que se deparam no dia a dia naquele território, nomeadamente, «na falha de rede de comunicações, em que às vezes não se consegue fazer um simples telefonema»; «limpeza das faixas é importante, mas é preciso pensar-se em alguma coisa para elas, porque ainda agora passamos por algumas limpas e outras já com a florestação a nascer e tudo isto sai do erário público (municipal)»; assim como, «sensibilizar os exploradores florestais para que deixem os caminhos como os encontram». Por outro lado, «para onde levar os sobrantes? Às vezes ficam na beira da estrada ou ainda pior no meio da floresta. Precisamos de empresas com capacidade de receção», continuou a autarca, lamentando que não haja comunicação articulada com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas «para que o Município saiba ao minuto quando são feitos cortes de árvores, plantações ou movimentações de terras e por quem as faz».

Rui Ladeira começou por agradecer «vir ao mundo rural para beber as experiências e dificuldades do nosso país. Este projeto pioneiro é um exemplo, em que as forças vivas se unem, e devia ser replicado por todo o país». «Precisamos do envolvimento da sociedade civil à escala nacional, porque hoje não se sabe quando é verão e quando não é. Vir aqui foi motivo de aprendizagem para perceber que nestas três freguesias, em que mais de 80% da área é florestal, existe esta ação de monitorização e acompanhamento», congratulou o secretário de Estado das Florestas, acrescentando ainda: «Vou levar este exemplo a mais concelhos do país e voltarei, trazendo “outros”, para que o vejam».

 

Secretário de Estado levou como preocupações «comunicações e depósitos de sobrantes»

Em resposta às preocupações da presidente da Câmara de Anadia, Rui Ladeira garantiu ir colocar na listagem das preocupações do Governo «as comunicações, um trabalho que tem que ser feito com as operadoras e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Estamos a falar em que no século XXI ainda há sítios sem comunicações eficazes». «Depósitos para sobrantes também é algo que deve ser tratado», sublinhou.

O secretário de Estado das Florestas disse ainda que tem percorrido o país, em reuniões com as Comunidades Intermunicipais, para discutir o decreto lei número 82 / 2021, que «estabelece o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais no território continental e define as suas regras de funcionamento». «No nosso entender há legislação que deve ser corrigida, assim como a carta de perigosidade. Não vai desaparecer, mas todos em conjunto não podemos impedir o desenvolvimento do interior», continuou, afirmando que «o crime tem de ser também responsabilizado em conformidade. Temos já dois grupos de coordenação tripartido com a Polícia Judiciária, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a Guarda Nacional Republicana. Queremos mais ação e mais policiamento».

Rui Ladeira disse ainda que a prevenção da perigosidade «é da responsabilidade de cada um de nós e este é um trabalho permanente. Temos de ter uma gestão mais agrupada, assumindo o que é preciso e trabalhando o ano todo».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de Bernardete Gomes e Mónica Sofia Lopes