O grafiteiro e artista plástico português Bordalo II realizou, no edifício onde está instalado o Tribunal da Mealhada, as obras «Big Trash Animals» e «Provocative», a primeira uma imagem de um pica-pau, a segunda uma alusão ao antifascismo. As peças serão inauguradas pela Câmara Municipal da Mealhada, na manhã desta quinta-feira, dia 25 de Abril, aquando das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos, «celebrando a liberdade e os valores de abril».

As imagens foram realizadas, na passada segunda-feira, e já na reta final, Artur Bordalo falou ao nosso jornal, explicando que a sua equipa foi convidada «a fazer uma peça sobre o 25 de Abril e a liberdade. Fizemos um animal, um pássaro, porque serão precisamente quem mais facilmente nos leva a pensar no que é a liberdade, se tivermos em conta o ar e em nada que os prenda».

Recordamos que a série «Big Trash Animals» do autor representa obras de animais em grande escala, construídos quase exclusivamente com lixo (segundo o autor das peças, «o mesmo material que mata»), pretendendo provocar um olhar diferente sobre os hábitos consumistas dos tempos contemporâneos.

«Por outro lado, fizemos também um comprimido da liberdade, como se fosse uma coisa quase acessível a todos, em que de repente encontrávamos e tomávamos. É pensar que tudo aquilo que é liberdade para nós não é suficiente e que temos que pensar no que é a liberdade para todos», referiu o artista.

Nas redes sociais são inúmeras as pessoas a partilhar e congratular o trabalho do artista na Mealhada, desde a passada segunda-feira, numa altura em que, poucas horas depois, passou para as páginas nacionais pela colocação de uma caixa de medicamentos gigante na campa de António de Oliveira Salazar, no cemitério do Vimieiro, em Santa Comba Dão. Na caixa, que cobre o local onde está o corpo do antigo ditador, lê-se o nome do alegado remédio «Liberdade», identificado como um «Probiótico Antifascista».

 

Mónica Sofia Lopes