«Sempre que entro numa escola ou num hospital lembro-me do 25 de Abril. A Educação e Saúde foram as maiores conquistas do 25 de Abril e são os instrumentos mais importantes para ajudar a combater as desigualdades», declarou, na noite de ontem, na Mealhada, Luís Marques Mendes, um dos convidados da palestra «Ensino profissional e o futuro dos jovens e da sociedade: Identidade, sinergias e diferenciação». A iniciativa, promovida pela Escola Profissional Vasconcellos Lebre, contou ainda com Margarida Mano, vice-reitora da Universidade Católica, num debate moderado por João Campos, diretor-adjunto do Diário de Coimbra.

«Cinquenta anos depois damos tudo por adquirido, mas é importante não esquecer que já houve um país radicalmente diferente», começou por dizer Marques Mendes, enfatizando que «a coisa mais importante que um país pode dar a um jovem é esta janela de oportunidade de ter educação, até porque efetivamente o melhor tempo que temos na vida é o da escola». «É preciso resolver o problema dos professores, para motivá-los, pois o seu papel é indispensável», afirmou ainda para uma plateia que, depois destas palavras, prestou um forte aplauso.

Afirmando ser «muito sensível ao ensino profissional», referiu que este «é tão bom como qualquer outro e temos de acabar com este preconceito de que é um ensino menor, porque não o é. É diferente» «O ensino profissional deve ter 50% dos alunos no chamado ensino secundário e estamos abaixo, apenas com 40%. Muitos especialistas dizem que a taxa de 25% de desemprego nos jovens se prende com a lacuna entre os conhecimentos adquiridos e o que é exigido na vida profissional e é um facto de que há maior empregabilidade num jovem que sai do ensino profissional comparativamente com o ensino regular».

O advogado e comentador televisivo fez ainda um apelo aos pais e professores para que motivem os jovens a lerem. «Os jovens perdem horas nas redes sociais e não tenho nada contra, mas isso não chega para a formação cívica», declarou, defendendo que uma pessoa que lê «passa a ter mundo, maior liberdade de escolha e uma linguagem mais rica».

Carlos Sousa, diretor da EPVL, referiu que a Escola Profissional da Mealhada «tem atualmente 18 turmas, sendo das maiores da CIM Região de Coimbra, com um número grande de turmas no primeiro ano», acrescentando ainda que 86% dos alunos que terminaram o curso no ano transato, estão a trabalhar ou a estudar». «Continuamos a ser o parente pobre precisamente porque temos financiamento comunitário», lamentou, defendendo que «o Orçamento de Estado deveria também contemplar este ensino».

Margarida Mano acrescentou que «o ensino profissional, como está estruturado, permite – por via da relação com os estágios, protocolos e empresas – uma relação fundamental com a sociedade. Permite a um jovem do 12.º ano ter um curso, disponibilizando às empresas acesso a jovens com formação, ou que possa aceder ao ensino superior».

Durante toda a tarde de ontem, a EPVL promoveu a Feira «Aposta no Futuro» que contou com mais de vinte expositores de várias entidades de ensino superior, de formação, das forças militares e de segurança e entidades relacionadas com a entrada no «mundo» do trabalho. Iniciativa que os alunos de Multimédia Rodrigo Simões e Erica Delgado, ambos com 18 anos, aplaudem. «Isto é muito enriquecedor para os alunos perceberem se querem seguir os estudos, quais as médias e exames necessários ou, por outro lado, ver outras possibilidades. Hoje vimos aqui um Curso Técnico Superior Profissional que, com determinada média, tem descontos nas propinas e oportunidade de estagiar na Europa», desvendaram.

 

Mónica Sofia Lopes