A escola de samba Amigos da Tijuca, com sede na Mealhada há cerca de um ano, e que, em 2024, assinala vinte anos de existência, venceu, com 294,7 pontos, o «Troféu Joham d’Oliveira» do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, avaliação que decorreu no corso noturno de 12 de fevereiro. A mesma escola arrecadou também a maior classificação no que toca à avaliação Popular, com 872 votos. Os resultados foram divulgados, publicamente, na tarde do passado sábado, no Cineteatro Messias, num momento apresentado pelo artista mealhadense Sérgio Lindo.

«Acorda Ti’Juca! Há Samba na Feira» foi o tema levado a cabo pela escola Amigos da Tijuca, criada há vinte anos em Enxofães, no concelho de Cantanhede. Ao nosso jornal, Patricia Pinto, presidente da direção da escola, referiu: “Estamos muito felizes por um prémio muito ansiado. Foram 20 anos a aguardar por esta conquista e sabemos que fizemos sempre o melhor para nos apresentarmos com brio. Este ano, felizmente, calhou-nos a nós e estamos muito orgulhosos por isso”.

No «Troféu Joham d’Oliveira» o segundo lugar foi para o Batuque com 293,9 que levou na avenida o enredo “Igualdade – Todos diferentes, todos iguais”; Sócios da Mangueira ficaram em terceiro com 293,7 e o tema “Do Latão ao Pavilhão – Memórias da Sociedade Mangueirense”; e “Abril – O canto da Liberdade” da Real Imperatriz em quarto com 292,8. Nesta classificação, o Batuque sofreu um ponto de penalização técnica.

Ao nível dos diversos quesitos, os Sócios da Mangueira venceram Bateria e Alegorias e Adereços. Na ocasião, os elementos da escola presentes falaram em “dedicação a uma escola, a uma bandeira e a uma bateria. A irmandade que temos e a maneira como vivemos diz muito da nossa escola”.

O Batuque arrecadou os quesitos Samba-enredo, Harmonia, Conjunto, Fantasias, Mestre-sala e Porta-Bandeira e Evolução, neste último em empate com a escola Amigos da Tijuca. “Foi um ano duro e difícil, mas empenhamo-nos forte e conseguimos transmitir a nossa mensagem na Avenida”, referiu Tiago Ângelo. Da mesma escola, Mariana Cidade, enredista e uma das carnavalescas, parabenizou “as escolas pela diversidade dos temas”, destacando “a mensagem de esperança” deixada pelo Batuque. “Todos nós amamos a nossa escola e é esse conjunto que contribui para o maravilhoso Carnaval da Mealhada”, deixou ainda na mensagem lida por Marcelo Barreto, outro dos carnavalescos. Alcides Ferreira, mestre-sala do Batuque, dedicou o prémio a uma criança autista com quem trabalhou no Centro Escolar da Mealhada.

Os Amigos da Tijuca venceram Comissão de Frente e Evolução, neste último com os mesmos pontos que o Batuque, e na justificação deste prémio, a escola afirmou que “o resultado de tanta gente vir ao Carnaval da Mealhada é a evolução que todos nós, das escolas, apresentamos”. Já sobre a comissão de frente, Tomás Almeida, a “dona Juca” no desfile, referiu ser “um quesito que me sai do pêlo e os colegas sabem que sou chato. Tiro o chapéu a todas as pessoas que há tantos anos estão cá. Isto não é nada fácil”.

Já o quesito enredo ficou nas mãos da Real Imperatriz.

No que toca ao Voto Popular, uma oportunidade dada ao público que assistiu aos corsos de segunda e de terça-feira, o Batuque ficou também em segundo lugar com 626 votos, os Sócios da Mangueira com 363 e Real Imperatriz arrecadou 167. Também aqui, a Tijuca venceu com 872 votos, tendo Patrícia Pinto, presidente da direção da escola, afirmado “muito orgulho no que foi apresentado”. “O voto popular significa que continuamos a trabalhar para o publico e isso foi conseguido”, enfatizou.

Antes de ser divulgado o vencedor do “Trofeu Joham d’Oliveira”, Abílio Semedo, presidente da Junta da União de Freguesias Mealhada, Ventosa do Bairro e Antes, parabenizou “todas as escolas”, afirmando que “o Carnaval foi um sucesso”. Também António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, disse não ser fácil “falar de Carnaval, depois do que vimos nos últimos dias. No final do desfile de terça-feira vi suor e lágrima. Vi pessoas com pés ligados, crianças e adultos em sofrimento, mas com lágrimas de alegria por conseguirem manter mais um Carnaval no topo”. “Depois do sucesso do Carnaval da Criança, que envolveu IPSS, Agrupamento de Escolas e pais, temos a garantia de que o evento vai continuar, porque o futuro está precisamente nos mais novos”, referiu o autarca, desvendando que em reunião da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra foi percetível que os restantes municípios vêm este Carnaval “como uma marca muito forte não só da região, mas também do país”.

 

Penalização técnica gera troca de comunicados

Nos últimos dias, e posteriormente à Gala, houve uma troca de comunicados nas redes sociais por parte do Grémio Recreativo Escola de Samba Batuque, da Mealhada, que obteve um ponto de penalização técnica no corso de terça, avaliado por um painel de jurados, e a Associação do Carnaval da Bairrada.

A situação refere-se ao desfile noturno de 12 de fevereiro, e já depois de estarem na Avenida os Amigos da Tijuca e os Sócios da Mangueira, no arranque do Batuque ocorreu um problema numa das alegorias, o que levou a que fosse pedido à escola Real Imperatriz a substituição da sua saída em terceiro, e não em quarto lugar na ordem do desfile como estava programado, a fim de que fosse possibilitado ao Batuque resolver o problema.

Esta terça-feira, o Batuque e a ACB apresentaram um comunicado conjunto onde esclarecem que “a proposta de troca de ordem no desfile partiu da ACB, ao qual o Batuque anuiu” e que “a penalização técnica de que foi alvo a escola não foi proposta nem da responsabilidade da ACB, mas discutida e validada pela comissão técnica do concurso do Carnaval 2024 (constituída por um elemento de cada escola e por um da ACB), entidade responsável pelas penalizações”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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