A Associação de Municípios Portugueses do Vinho entregou, no final do ano passado, ao Governo, uma proposta para elevação da vinha e do vinho a património cultural imaterial de Portugal. Ontem, no concelho de Anadia, no decorrer da 2.ª Convenção dos Territórios Vinhateiros, Luís Encarnação, presidente da AMPV, explicou ser um projeto, no qual a associação tem vindo a trabalhar, por um lado, «dado o contributo do setor para o PIB português», por outro, «a qualidade deste produto endógeno». «Dentro de uma garrafa não está só vinho, está cultura e o trabalho de muitas pessoas. Queremos valorizar os territórios e a atividade», enfatizou, garantindo que, após as eleições legislativas, «voltaremos a reunir com os responsáveis da pasta para prosseguirmos com a nossa intenção, que sabemos que levará o seu tempo».

«Temos uma diversidade de vinhos enorme, uma grande riqueza e variedade de castas autóctones que preservamos, os nossos vinhos são reconhecidos internacionalmente, sendo considerados distintos e únicos em qualquer parte do mundo. Consideramos que existem razões suficientes para valorizarmos ainda mais esta nossa cultura», disse ainda, aos jornalistas, Luís Encarnação, corroborado por José Arruda, secretário geral da Associação, que avançou também «o início de marcação de reuniões com os vários parceiros».

Na sua intervenção, José Arruda fez um balanço das duas convenções, com enfoque para a segunda, que começou, no Velódromo de Sangalhos, na passada quarta-feira. «No ano passado realizámos a primeira convenção, que entendemos ser importante prosseguir, realizando-a anualmente. Em 2023 tivemos 137 pessoas, contando já com parceiros internacionais e, só no dia de ontem, tivemos quarenta Municípios a assistir às apresentações realizadas», congratulou o secretário geral da AMPV, referindo também que atualmente são 123 os Municípios associados, «tendo novos nove aprovado já a adesão e 16 estão a trabalhar para terem condições para esta aprovação, o que significa que, brevemente, poderemos estar com 148 associados».

Presente na sessão de encerramento esteve Bernardo Gouvêa, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, que garantiu que «o enoturismo é um setor vitivinícola com uma atividade em franco crescimento. Apesar do consumo mundial estar a baixar, o enoturismo tem sido um negócio com uma importância significativa, em que perto de 90% dos turistas que vêm a Portugal apontam a gastronomia e o vinho como o principal atrativo e destes, 10% (três milhões de turistas) vieram especificamente com relação ao setor do vinho».

«Neste domínio estima-se que a atividade direta em Portugal seja de 300 milhões de euros para a economia», continuou Bernardo Gouvêa, defendendo que muito do sucesso do enoturismo passa «por um sistema de trabalho em rede, onde estão produtores, restauradores, turismo de Natureza, hotelaria e atividades dos próprios Municípios». «Temos de estar sempre a trabalhar para que o turista seja facilmente encaminhado para a diversidade. O vinho é um produto tangível, exportado para mais de cinquenta mercados de forma expressiva, levando a imagem de Portugal e dos territórios vinhateiros», acrescentou, concluindo que «é nos produtos de denominação de origem que mais podemos afirmar a nossa diferença, riqueza e cultura».

Neste âmbito, Jorge Sampaio, em representação do Turismo do Centro de Portugal, disse que nos dados de 2023 «a região Centro ultrapassou o meio milhão de dormidas, passando o ano de referência de 2019. Aumentamos o número de turistas e o valor gasto no território, só não aumentamos o número de noites».

 

«Valorização do enoturismo não se pode esgotar numa visita a uma Adega»

«O vinho é o elemento valorizador da Rota da Bairrada, região onde temos 4.500 hectares de vinha», começou por dizer Pedro Soares, presidente da Rota da Bairrada, explicando que a mesma agrega oito municípios, «que decidiram criar uma rede por forma a promover articuladamente os setores do vinho, restauração e hotelaria».

«Acreditamos muito que o enoturismo é um elemento valorizador de uma região e que não se pode esgotar numa visita a uma Adega, mas aliando uma passagem pela Mata do Bussaco ou até mesmo por este Velódromo», exemplificou o dirigente, enaltecendo «o apoio do Município de Anadia, em articulação com os produtores, na participação em feiras internacionais, sempre que os mesmos forem “debaixo” da marca Bairrada». «Isto é muito importante», disse, referindo-se a um apoio de mil euros a cada interveniente, cujas candidaturas, no máximo de quatro, estão a decorrer até 29 de fevereiro, na referida Autarquia.

«A promoção à volta da vinha e do vinho desta região tem que ser concertada e levar sempre à frente de tudo a palavra Bairrada», rematou.

 

Mónica Sofia Lopes