Terminou, na manhã da passada sexta-feira, o segundo ciclo das Conferências de Outono, que se realizaram em 2022 e em 2023, todas de participação gratuita. Este ano, depois da Habitação e Competitividade Fiscal, a iniciativa encerrou com o tema da «Gestão da Água», onde se focou que o município de Anadia tem abastecimento de água em 99% e saneamento básico em 98%, segundo dados da base de estatísticas portuguesa Pordata.

Coube a Lino Pintado, vereador na Câmara de Anadia e responsável pelo setor do Ambiente, qualidade e higiene pública, as boas-vindas na sessão, afirmando que «depois do ar que respiramos, a água será o bem mais essencial à nossa vida». «O Município de Anadia tem optado em ter o sistema de gestão de água, apesar das várias abordagens para aderirmos a outros. Na verdade, ainda não fomos convencidos», referiu.

«Segundo dados da Pordata, em 2021, em Anadia o abastecimento de água é de 99% e o saneamento básico em 98%. Em vinte anos houve muito investimento», começou por dizer José Manuel Ribeiro, da FNWay Consulting, entidade que colaborou com o Município de Anadia na organização das conferências, acrescentando, contudo, que «as condutas sofrem com isto e no curto, médio trecho terá que haver investimentos de manutenção da rede».

Ainda sobre o concelho anadiense, José Manuel Ribeiro congratulou o facto de «Anadia não ter avançado com estradas sem ver as redes de água e das águas residuais». «Não se asfalta sem se ver, para evitar que passados dois anos se tenha que rasgar novamente», disse, enumerando alguns pontos, a nível nacional, que são um problema quando o tema é o da água: «A não faturada pode ser um problema grande. As condutas são antigas e ao longo do percurso vão se perdendo; por outro lado, o georadar permitiu o levantamento de água e saneamento, mas esqueceram-se das águas pluviais; por fim, considero haver necessidade de elaboração de um plano de contingência para a escassez da água».

Uma ideia corroborada por António Carmona Rodrigues, ex-ministro das Obras Públicas e ex-presidente da Câmara de Lisboa, que afirmou que existem «problemas com a escassez da água ou com a água muito poluída. Em Portugal passamos de seca para cheia num instante». O ex-autarca deu até o exemplo de Jacarta, na Indonésia, em que a cidade se está a afundar. «40% da cidade está abaixo do nível do mar e já há planos para se mudar a capital naquele país», disse, rematando: «O planeamento que se fazia para 40 anos, hoje se der para dez já não é mau».

José Furtado, presidente da Águas de Portugal, entidade que, este ano, completa trinta anos de existência, declarou: «Estamos a trabalhar numa carteira de clientes que cobre 80% do país. Servimos 217 municípios com treze empresas de âmbito regional. O Grupo Águas de Portugal é o principal consumidor público e o terceiro a nível nacional. Crescemos saudáveis nestes trinta anos. Damos lucro e distribuímos dividendos».

Para o presidente da Águas de Portugal «a escassez é um saldo. A pior coisa que podemos imaginar é resolver a escassez pelo lado da oferta». «Não é só acrescentar água e seguramente ter novas fontes, mas fundamentalmente olhar pelo lado da procura, controlando o uso da água», apelou.

No final, a iniciativa foi elogiada pelos oradores, com José Manuel Ribeiro a garantir que «é sempre importante sair dos grandes centros para a província e digo província com muito orgulho, porque Anadia é um dos bons exemplos, até pelo arrojo na organização destas conferências que, em dois anos, abordaram seis temáticas importantíssimas».

Uma «descentralização» também elogiada por Luís Mira Amaral, moderador desta última sessão, que rematou um «até para o ano, nas conferências de 2024».

 

Mónica Sofia Lopes