Em dia de feriado municipal, que se festejou ontem, 26 de maio, a Câmara da Mealhada assinou um protocolo de cooperação com a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, com vista a que reclusos comecem, brevemente, a trabalhar no concelho mealhadense em áreas técnicas em que a Autarquia tem dificuldade em contratar profissionais, nomeadamente jardineiros, eletricistas e canalizadores.

«É um enorme regozijo ver que o atual executivo retoma um protocolo que já existiu na Mealhada com excelentes resultados. No passado, os reclusos que trabalharam, quer aqui, quer na Mata do Bussaco, eram excelentes profissionais e criaram ótimas relações com os munícipes e com os trabalhadores municipais», afirmou Carlos Cabral, presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, defendendo que «num estado democrático temos a obrigação de devolver estas pessoas, com capacidade de integração, à sociedade». «Estes lugares não tiram o lugar a ninguém», rematou.

Palavras que sensibilizaram Rómulo Mateus, diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, que saudou a «abertura e colaboração do Município na reinserção social», sublinhando que, «dos cerca de doze mil reclusos, pouco mais de 100 têm a possibilidade de trabalho no exterior, após um exaustivo e rigoroso trabalho de avaliação». «Numa altura em que a prisão é definida como um não lugar, este é o caminho certo, o de se preparar os reclusos para o seu regresso à normalidade. Os reclusos não ficam para sempre atrás dos muros e quando regressam à normalidade, regressam para a sociedade», referiu, acrescentando ainda que não se pretende que «as prisões tenham portas giratórias e que os reclusos saiam das prisões para depois regressarem».

«Esta iniciativa é uma reedição, fez-se no passado e com ganhos muito positivos para todos os envolvidos. Há, inclusive, casos de pessoas que viram reconhecido o seu profissionalismo e ficaram a trabalhar no nosso concelho e há até outros casos de pessoas que por aqui fizeram vida e constituíram famílias após o cumprimento da pena. E são estas as vivências que desejamos que se repitam», sublinhou o presidente da Câmara da Mealhada, explicando que «uma das dificuldades com que nos deparámos foi a falta de profissionais especializados, como canalizadores, calceteiros, jardineiros e eletricistas».

Na cerimónia do Dia do Município, o edil não quis deixar de fora os funcionários autárquicos. «Agradeço aos colaboradores que fazem parte de uma equipa de trabalho dedicada e proactiva. São trabalhadores responsáveis e disponíveis que encontram em mim um amigo que está ao seu lado», sublinhou o autarca.

António Jorge Franco disse ainda que as habituais medalhas de mérito entregues neste dia não estão esquecidas. «Queremos ter um regulamento que seja escrutinado para que tenhamos medalhas por merecimento e não por favorecimento ou empatias», referiu.

A sessão solene teve início com um momento musical por parte dos alunos da Oficina de Música da Escola Básica 2 da Mealhada, sob a direção da professora Maria Antónia Mota; e terminou com um momento tradicional da Romaria da Ascensão ao Bussaco protagonizado pelo Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente da Região da Pampilhosa.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias de Ana Rodrigues