A 11 de fevereiro de 2022, o executivo camarário da Mealhada aprovou, por unanimidade, a prorrogação do prazo de abertura da Cafetaria da Alameda da Cidade (antigo Dez9Café), até final desse mesmo mês, por parte da empresa que ganhou o concurso. Se para a Autarquia «foram dadas todas as condições para que o espaço fosse aberto», para Pedro Figueiredo, gerente da empresa em questão, «o espaço não foi entregue nas melhores condições». O assunto está agora a ser analisado juridicamente pela Câmara da Mealhada, depois de uma contestação efetuada pela empresa.

«O que pretendemos é que o espaço – Cafetaria da Alameda da Cidade – esteja aberto, até porque o edifício fechado só traz problemas», referiu, na reunião de 11 de fevereiro, António Jorge Franco, presidente do Município da Mealhada, recordando que, aquando da tempestade Leslie, «houve ali um investimento de cerca de 60 mil euros, um valor que é de todos e muito grande para que o espaço esteja fechado há tanto tempo».

Declaração corroborada pelo vereador Gil Ferreira, que defendeu ser necessário «a devolução daquele espaço ao público». «Estamos sempre disponíveis para ouvir todos os interlocutores, mas na tomada de posição o que nos serve são os dados concretos dos serviços, que nos dizem que há condições para que o espaço funcione», referiu.

«A Cafetaria tem que estar aberta a 1 de março, caso contrário teremos que partir para a resolução do contrato», disse ainda o edil, garantindo não ver «razão nenhuma para o espaço não estar aberto». Uma decisão apoiada pela oposição socialista.

Já antes disso, e no período destinado ao público, Pedro Figueiredo, gerente da empresa a quem foi adjudicada o direito de exploração, referiu que visitou «o espaço à posteriori do concurso. Confiei no que estava no procedimento concursal e ao ler o caderno de encargos, o cessionário tem de entregar o espaço em perfeito estado de conservação». «Foi nisso que acreditei e gostava que fosse lá comigo ver como aquilo foi entregue», disse, lamentando que «o sistema de exaustão tenha sido trocado dez meses depois de o ter pedido, uma semana antes das autárquicas». «Porque razão a Câmara não intervém na fachada do edifício? Já me propus a corrigir e pagar do meu bolso e essa autorização foi me negada», acrescentou ainda Pedro Figueiredo.

Mas para António Jorge Franco «na perspetiva dos técnicos, não há nada que impeça a abertura do espaço». Sobre a intervenção na fachada, o edil enfatiza «o cuidado que é preciso ter com o material que ali está», defendendo que «isso não é impeditivo para a sua abertura». «Na reunião que teve comigo, solicitou um painel de aquecimento de águas e um outro tipo de iluminação. Acho interessante, mas nada disso é impeditivo de abrir o espaço», referiu ainda o autarca na reunião que se realizou em fevereiro.

Na manhã de ontem, dia 7 de março, na reunião do executivo e em resposta ao vereador Luis Tovim, eleito pelo Partido Socialista, que questionou o ponto de situação da abertura da Cafetaria, o presidente da Câmara da Mealhada informou que «a empresa devia ter aberto o espaço, o que não aconteceu. Agora contestou e estamos a analisar a situação juridicamente».

 

Mónica Sofia Lopes