Quatro alunos da licenciatura em Arquitetura na Universidade do Porto estão a estudar a história da varanda quinhentista do edifício dos Paços do Concelho. O trabalho de investigação está a ser realizado no âmbito da disciplina de História da Arquitetura Portuguesa e centra-se num relevante elemento arquitetónico do Renascimento, construído em pedra de Ançã, e que mantém o essencial da sua traça original. Foi, de resto, a sua vincada singularidade arquitetónica e patrimonial que esteve na origem da escolha por parte dos futuros arquitetos.

“Foi-nos dada uma lista com edifícios do Renascimento que poderiam ser interessantes face à pouca informação publicada sobre eles. Esta varanda do edifício da Câmara Municipal de Cantanhede despertou-nos a atenção por ter tido poucas alterações e reunir os elementos típicos da arquitetura quinhentista e dos arquitetos da época”, justificou Serafim Coelho, elemento do grupo que está a fazer o estudo, do qual fazem também parte Diana Afonso, Mafalda Pires e Matilda Perdicoúlis.

“Durante a visita ao edifício da Câmara Municipal, antigo palácio da família dos Meneses, os estudantes recolheram alguma informação documental e registos fotográficos, e efetuaram a medição detalhada de elementos em estudo, como as colunas e abóbodas do piso inferior e as mísulas”, avança, em comunicado, a Autarquia de Cantanhede, que acrescenta que “o trabalho de investigação deverá estar concluído dentro de três meses tendo como foco a procura de respostas para questões como a função primordial da varanda, o uso que lhe foi dado ao longo dos séculos e o que terá motivado a sua construção. Em estudo está ainda a articulação da escada com as galerias do rés-do-chão e primeiro andar”.

O grupo de alunos da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto foi recebido por Pedro Cardoso, vice-presidente da autarquia cantanhedense, que se congratulou “com a investigação centrada num património histórico tão relevante para este concelho. O vosso trabalho interessa-nos, pois estamos a falar de uma referência maior do nosso património, pois além do seu valor arquitetónico e histórico, possui uma a forte carga simbólica que lhe advém da circunstância de ser a casa do exercício democrático do poder autárquico, explicou o autarca, adiantando que “tem havido e vai continuar a haver sempre a preocupação de preservar e profundar essas duas dimensões”.

Pedro Cardoso espera que o resultado final da investigação académica revele novos dados sobre a história do antigo palácio dos marqueses de Marialva e desafiou os estudantes “a virem a Cantanhede apresenta-los publicamente numa sessão que a Câmara Municipal terá todo o gosto em organizar. É importante proporcionar aos munícipes as perspetivas possíveis sobre o nosso património e este estudo será certamente mais o passo nesse sentido”, concluiu.