A União das Mutualidades Portuguesas, que reuniu no Luso no passado dia 29 de janeiro, alertou «para critérios de análise e hierarquização das candidaturas à requalificação e alargamento da rede de equipamentos e respostas sociais no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência que condicionam, à partida, o sucesso de alguns projetos». Nesta reunião anual, António Costa e Silva, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, tomou nota das preocupações e fez uma súmula das questões mais importantes do Plano, nomeadamente, no que diz respeito à habitação, saúde, educação e na luta contra a pobreza.

«O Plano de Recuperação e Resiliência não é uma panaceia. Em muitos casos, o nível de financiamento revela-se manifestamente desproporcionado para o valor efetivo do investimento», referiu Luís Alberto Silva, presidente do conselho de administração da União das Mutualidades Portuguesas, lamentando que o PRR deixe «de fora investimentos fundamentais na requalificação de instalações das respostas de saúde ou de previdência social. Esperamos que esta preocupação tenha reflexo no Portugal 2030».

Para uma plateia de presidentes mutualistas, Luís Alberto Silva disse ainda que «o desafio que o PRR nos coloca é enorme e obriga-nos a sair da nossa zona de conforto». «Vivemos tempos muito importantes. Ou agarramos esta janela de oportunidade ou arriscamo-nos a ficar parados na estação a ver o comboio do desenvolvimento a passar e a enfraquecer os nossos laços com os portugueses. É tempo de passar das palavras à ação, usando os recursos que o país coloca à nossa disposição para munir e robustecer as respostas do mutualismo aos portugueses, na proteção e previdência social e na saúde», enfatizou, defendendo que «independentemente das graves lacunas, o PRR será sempre uma alavanca para o desenvolvimento e rejuvenescimento das mutualidades e de muitos projetos, novos e antigos, que esperam uma oportunidade».

No seu discurso, António Costa e Silva começou por elogiar «o trabalho extraordinário dos Mutualistas», afirmando que «nem sempre é valorizado». «Vivemos uma crise pandémica brutal que já virou crise social profunda e a isto junta-se uma crise climática. E de que serve a economia quando não conseguimos respirar?», questionou, declarando que «não estamos a saber cuidar do nosso planeta. A biodiversidade é o nosso seguro de vida. Se não mudarmos o nosso estilo de vida, vamos ter mais uma centena de epidemias».

Depois da introdução ao seu discurso, António Costa e Silva prosseguiu, dizendo que «o primeiro grande pilar do PRR tem a ver com a saúde, nomeadamente, com a reconstrução de toda a rede de cuidados primários. Há uma área reconhecida que são os cuidados de proximidade que têm que ser articulados com as Autarquias e com as associações sociais. Também os cuidados integrados, continuados e paliativos têm que ser trabalhados com o sector social». Para além disso, diz, «somos o terceiro país mais envelhecido do mundo. Temos que ter cuidados de proximidade no envelhecimento e até reconfigurá-lo».

«Outro grande pacote é o da questão da habitação que é dos problemas mais sérios que temos no país. Temos de a fazer chegar às autarquias, às famílias e às pessoas», disse o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, desvendando ainda que este contém «uma verba para a eficiência energética dos edifícios. Se não mudarmos o nosso modelo de consumo não vamos atingir os objetivos». «A aposta nas qualificações e competências da população portuguesa» é outra das grandes prioridades, «havendo um grande pacote para o ensino e formação profissional».

Também António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, disse que «se espera com o PRR recuperar da crise (provocada pela pandemia), sem deixar ninguém para trás».

 

Mónica Sofia Lopes